ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

A fé das famílias emigrantes na peregrinação de Fátima
Revista PORT.COM • 13-Ago-2016
A fé das famílias emigrantes na peregrinação de Fátima



A peregrinação dedicada aos emigrantes, que decorre até hoje no Santuário de Fátima, está a ser marcada pela afluência de famílias inteiras, muitas com bebés de colo, apesar do intenso calor que se faz sentir.

Emigrados em Toulouse, França, dois amigos deslocaram-se a Fátima, acompanhados das respetivas famílias, um grupo residente na zona do Porto: “É uma questão de fé e, como estamos fora do país e gostamos de Fátima, vimos todos os anos”, disse à agência Lusa Alvim Silva.

Este serralheiro, atualmente sem trabalho devido a ter partido um dedo, diz que a deslocação ocorre “para mostrar Fátima” aos filhos pequenos “e conhecer Portugal”.

O amigo, Fábio Rodrigues, maquinista, também acompanhado de crianças, empurra um carrinho de bebé pela zona de sombra que ladeia o Santuário – praticamente despido de pessoas, face ao sol forte e temperaturas acima dos 30 graus – adianta que a vinda à Cova da Iria faz-se também pelo convívio e para mostrar o espaço religioso aos filhos.

“Somos fiéis, gosto de vir. [Os filhos] ainda são pequeninos para compreender [o significado de Fátima] mas daqui a uns anos teremos de explicar, é normal, qualquer pai faz isso”, argumentou.

Outro casal com filhos descansa no pequeno muro que circunda o Santuário, de onde são visíveis dezenas de carrinhos de bebé – uns aproveitando as poucas sombras do recinto, outro ao lado de uma peregrina que, de joelhos, cumpre uma promessa.

Joel, natural de Viseu e residente na região de Paris, está de férias em Portugal e deslocou-se a Fátima com a mulher e duas meninas pequenas, como “todos os anos, desde bebé”.

“Vim pela fé, venho todos os anos rezar um bocado e ver se se dá mais sorte na vida”, frisou.

A presença das crianças tem o objetivo de as educar “para a religião” e a deslocação desde Viseu é, nos tempos de hoje, mais fácil do que noutros tempos: “Hoje em dia é só meter o ar condicionado, mas aqui temos de andar muito a pé e elas cansam-se um bocadinho”, afirmou.

Num espaço de campismo atrás do recinto do Santuário são várias as pessoas que optam pela estada em tendas de campismo, como a família de Daniela Nunes, natural de Oliveira de Azeméis, que aproveita a sombra a jogar às cartas, em redor de uma mesa.

Os pais vêm “mais pela parte religiosa”, mas os filhos aproveitam as férias “para passear, fazer algumas compras e também jogar ‘Pokémon’”, um dos jogos do momento.

“É um local simpático para passar férias, vimos em família, não há situações de roubos nem nada parecido, é muito calminho, quando não há dinheiro para ir para o Algarve é assim, acampar, tudo à moda antiga”, disse a rapariga.

Já Joaquim Barbado, escuteiro de Terrugem, Elvas, é presença habitual em Fátima, onde se desloca há mais de 40 anos, quase tantos como a barba branca comprida que lhe chega à barriga.

“É uma vinda de fé, da fé em Nossa Senhora, e em segundo lugar com o espírito escutista, para auxiliar todos os peregrinos que necessitem do meu apoio”, explicou.

A ideia de deixar crescer a barba (quando a tivesse) – hoje fotografada e partilhada em imagens pelo mundo fora – surgiu ainda em criança, na escola, por causa do apelido de família.

“A minha professora dizia que eu era Barbado sem ter barba e eu só pensava que um dia, se a tivesse, ficaria sempre com ela”, sublinhou, alegando que mantém as barbas “há 40 anos”.

 

Arcebispo Zani abre peregrinação incitando os homens a serem “misericordiosos” como Deus

O arcebispo Angelo Vicenzo Zani abriu esta sexta-feira a peregrinação do Migrante e do Refugiado do Santuário de Fátima citando Jesus Cristo, que “nos convida a ser misericordiosos como o Pai [Deus]”.

O arcebispo italiano que preside à peregrinação citou o “Evangelho segundo S. Lucas”, para lembrar que os católicos estão a viver “um ano especial, proclamado pelo papa Francisco como Jubileu Extraordinário da Misericórdia”, explicando que “a misericórdia é essencialmente Deus que vem” ao encontro dos homens.

Esta peregrinação, que faz parte da 44.ª Semana Nacional de Migrações, realiza-se sob o mote “Emigrantes e refugiados: o rosto da misericórdia”, tendo Angelo Zani incitado todos “a abrir o ‘coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática’”, citando a bula “Misericordiae vultus”, de Francisco.


Etiquetas
Partilhar

OPINIÃO
As comunidades portuguesas e o desenvolvimento de Portugal
Berta Nunes
secretária de Estado das Comunidades
O desastre consular e o deputado das comunidades
José Cesário
, Deputado do PSD por Fora da Europa
A ameaça das Redes Sociais e a tomada de consciência
José Caria
Diretor-adjunto da PORT.COM
DISCURSO DIRETO
Mensagem de Natal
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República
PORTUGAL
O português que conquistou notoriedade na PGR do Brasil
Alcides Martins, PGR do Brasil
PORTUGAL
Sagres e Luso:Tradição e Modernidade
Nuno Pinto Magalhães
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ