ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

Artista português Ernesto de Melo e Castro condecorado em São Paulo
Revista PORT.COM • 12-Jun-2017
Artista português Ernesto de Melo e Castro condecorado em São Paulo



O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou ontem, em São Paulo, o artista português Ernesto Melo e Castro com a Ordem do Infante Dom Henrique, sob um céu que "só pode ser luso-brasileiro".

A condecoração do poeta e artista plástico, de 85 anos, decorreu ontem de manhã no consulado-geral de Portugal em São Paulo, onde está patente uma exposição da obra de Ernesto de Melo e Castro, no âmbito da visita do Presidente da República e do primeiro-ministro, António Costa, ao Brasil para comemorar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.

A condecoração, declarou o chefe de Estado, homenageia "um mestre, que é um experimentalista, e nesse sentido, um existencialista".

"A homenagem nunca é tardia, porque é mais saborosa. É prestada no Brasil, quem diria, e ouvindo o próprio a recordar o percurso que fez. Normalmente as homenagens são póstumas, aí todo o mundo passa a génio", comentou.

Além disso, a condecoração resulta da "colaboração dos órgãos de soberania: o senhor primeiro-ministro propôs a condecoração, o Presidente da República outorgou" e "os deputados [do PS, PSD, PCP, Bloco de Esquerda e CDS-PP, que integram a comitiva portuguesa] dos vários partidos apoiam".

"Daquilo que tradicionalmente se chama a esquerda-esquerda até ao centro-direita e à direita moderada e civilizada, todos de acordo. São todos experimentalistas, ao menos hoje, na admiração de Ernesto Melo e Castro", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

À chegada ao consulado-geral, o primeiro-ministro cumprimentou o artista, que recordou ser "um grande amigo" do pai de António Costa, o escritor Orlando da Costa.

"O seu pai foi dos poucos poetas que me ensinou alguma coisa, mas não foi na poesia que ele me ensinou, foi na vida", afirmou Melo e Castro, ao que António Costa respondeu: "Olhe, foi o que me aconteceu a mim, que também não deu para poeta".

"Você é a cara do seu pai, ainda bem", comentou ainda o artista, que há 20 anos reside no Brasil.

Ernesto de Melo e Castro afirmou-se surpreendido com a condecoração, que estendeu aos poetas da sua geração, nomeadamente António Ramos Rosa ou Armando da Silva Carvalho, falecido recentemente.

"Recebi das críticas mais insultuosas em Portugal, recebi o esquecimento de alguns colegas que eu tanto estimava, vi aqueles que eu mais estimava, como o António Ramos Rosa, morrer quase no anonimato injusto", lamentou.

Melo e Castro recordou depois os poetas "que constituem aquilo a que se vai chamando a cultura poética portuguesa, que sempre esteve ligada à liberdade".

"A maior parte dos poetas portugueses foram perseguidos, julgados, encarcerados, morreram miseráveis, esquecidos, mas eu peço-lhes que ressuscitem hoje", disse.


Etiquetas
Partilhar

OPINIÃO
Significado das próximas eleições para a Assembleia da República
Paulo Pisco
Deputado do PS
Incêndios rurais: prevenir é mesmo o melhor remédio
Miguel Freitas
Sec. de Estado das Florestas
Por um regresso seguro a casa
José Artur Neves
Sec. de Estado da Proteção Civil
DISCURSO DIRETO
As vivências da emigração portuguesa nos palcos do teatro
Daniel Bastos, Historiador
PORTUGAL
Defesa de nova visão sobre as comunidades portuguesas
José Luís Carneiro
PORTUGAL
Um eterno e constante devir....
José Caria, diretor-adjunto da PORT.COM
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ