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Cinema contemporâneo dos Açores divulgado no Rio Grande do Sul, no Brasil
Revista PORT.COM • 02-Out-2017
Cinema contemporâneo dos Açores divulgado no Rio Grande do Sul, no Brasil



A associação cultural Burra Milho, com sede na ilha Terceira, nos Açores, promove uma mostra de cinema contemporâneo realizado no arquipélago, de domingo até 08 de outubro, no Rio Grande do Sul, no Brasil.

"Felizmente, cada vez há mais realizadores e mais jovens com formação e a fazer filmes. São filmes que nunca chegam ao mercado da distribuição, nem chegam às salas de cinema, daí depender um bocadinho das associações a promoção", adiantou, em declarações à agência Lusa, Miguel Costa, presidente da Burra de Milho.

A iniciativa surge no seguimento do projeto "Amostram'isse - Mostra de Cinema dos Açores", que, desde 2013, já exibiu à volta de 35 filmes açorianos em 50 sessões no arquipélago, no continente português, nos Estados Unidos da América e no Canadá, abrangendo aproximadamente 2.000 espetadores.

Durante uma semana, serão exibidos 12 filmes de vários géneros, em quatro cidades, seguidos de um período de debate, em resultado de uma parceria da Burra de Milho com a direção regional das Comunidades e com a Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul.

Segundo Miguel Costa, o objetivo é divulgar a cultura açoriana e o cinema que tem vindo a ser produzido, mas também reforçar laços com os descendentes de açorianos.

"A grande experiência tem sido aproximarmo-nos da comunidade que já está emigrada há mais tempo e ao mesmo tempo dar a conhecer os Açores a um grupo de pessoas que não os conhecia e fazer perceber que somos iguais a todo o mundo, mas temos a nossa identidade cultural muito específica e que realmente é bastante curiosa", salientou.

No Rio Grande do Sul, onde há uma forte influência cultural da emigração açoriana, em meados do século XVIII, não há a barreira da língua, como nos Estados Unidos ou no Canadá, mas os descendentes de açorianos já têm pouco contacto com o arquipélago.

"No Brasil, é uma emigração diferente, é uma emigração que tem muitos anos, onde estamos a falar de descendentes de terceira e quarta geração. Da nossa parte há essa curiosidade de ver como é que funciona", adiantou o presidente da Burra de Milho.

Quando a mostra de cinema contemporâneo se iniciou nos Açores, surpreendeu quem assistiu, pela quantidade e qualidade dos filmes, e, quem organizou, pela adesão.

"A surpresa foi muito grande. As primeiras sessões do 'Amostram'isse', em Angra [do Heroísmo], Ponta Delgada e Horta tiveram sempre muita gente, muita afluência. De boca, espalhou-se e foi sempre crescendo e mantendo o nível de público", frisou.

No entanto, o maior impacto do projeto foi junto das comunidades emigrantes, e não só, nos Estados Unidos da América e no Canadá.

Numa universidade com ensino de português, a mostra foi apresentada a cerca de meia centena de alunos e a reação superou as expectativas, apesar de a maioria não ter ligação aos Açores.

"Tinha alunos da Birmânia, do Bangladesh, da Rússia, do Canadá, dos Estados Unidos, de todo o mundo, incluindo dois ou três luso-descendentes. E eles ficaram maravilhados, primeiro com a origem das ilhas - nem todos conheciam os Açores, muito menos que fossem assim tão evoluídos e que gerassem algum cinema e alguns projetos de vídeo. Alguns identificaram-se, por exemplo, um aluno do Havai", contou Miguel Costa.

Segundo o presidente da Burra de Milho, a mostra apresenta filmes "bastante transversais, que tocam em muitas temáticas e tocam em bastantes áreas do cinema", com predominância para o documentário, mas também com animação, curtas e ficção.

"Temos muitos filmes que aproveitam bastante as belezas naturais e até o impacto dramático de algumas zonas. Há um filme todo filmado na Fajã de Santo Cristo, em São Jorge, que é sobre o isolamento e o ser ilhéu. Isto promove a imagem da região, mostrando estas imagens, mas ao mesmo tempo serve, esperamos nós, como um chamariz para que, por um lado, surjam projetos sobre os Açores e, por outro, que possam ser filmados nos Açores", apontou.


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