ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

Linguista brasileira considera que há falta atenção e afeto pela língua portuguesa na comunidade
Revista PORT.COM • 31-Out-2016
Linguista brasileira considera que há falta atenção e afeto pela língua portuguesa na comunidade



A linguista brasileira Enilde Faulstich considerou que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem descurado, durante duas décadas de existência, o idioma que une os Estados-membros, frisando que o que falta na comunidade é “afeto pela língua”.

Em declarações à agência Lusa, a professora e pesquisadora de Políticas Linguísticas da Universidade de Brasília (UNB) explicou que “toda a vez que se fala de língua portuguesa há reclamações”, porque, por exemplo, na Guiné-Bissau se fala algo de um modo, no Brasil de outro, tornando-se isso num “impeditivo, que não é afetuoso”.

A linguista falava à Lusa a propósito da XI conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que se realiza até amanhã, em Brasília.

“Eu sinto muito que a língua portuguesa até hoje tenha, de facto, uma conceção metafórica [dentro da CPLP], porque falta nos próprios países que fazem parte da comunidade (…) escolarização” do português, defendeu, acrescentando: “parece-me que faltam até formadores”.

Enilde Faulstich considerou que é preciso continuar a ensinar português em cursos como Química ou Matemática, para que os alunos desenvolvam o uso de terminologia científica em português, em vez de o fazerem noutras línguas, designadamente o inglês.

Além disso, “no Brasil alguns cursos e algumas disciplinas começam a ser ministrados noutras línguas”, notou, sublinhando que “o indivíduo precisa de sentir que a língua que ele fala é o veículo mais importante da vida dele”.

“Nós demorámos tanto neste período da CPLP a desenvolver aquela que é a número um, que é a língua portuguesa, que nós vamos ser possivelmente tomados por outras línguas que têm já acesso muito mais imediato pelo conhecimento mais avançado”, lamentou.

A investigadora, que acompanhou o nascimento da CPLP em Portugal, esperava que o Instituto Internacional de Língua Portugal (IILP), da CPLP, “não fosse internacional só porque ele está em diversos países”, mas que procurasse “a internacionalização dos povos” através da língua.

O IILP tem feito “um trabalho amplo em torno da língua portuguesa, mas não tem repercussão”, considerou, dando conta que no Brasil, pela sua perceção, poucos professores o conhecem.

A linguista questionou ainda: “como é que nós vamos implantar sistemas de comunicação irmanados numa comunidade que tem o nome de língua portuguesa, se a preocupação, pelo que vejo agora, é mais económica, do que efetivamente de comunicação e de interação entre nós pela língua”.

A também coordenadora do programa de pós-graduação em Linguística da UNB é ainda da opinião de que a CPLP deve trabalhar para estender o português aos países observadores.

A CPLP, que já existe há 20 anos, reúne Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.


Etiquetas
Partilhar

OPINIÃO
Significado das próximas eleições para a Assembleia da República
Paulo Pisco
Deputado do PS
Incêndios rurais: prevenir é mesmo o melhor remédio
Miguel Freitas
Sec. de Estado das Florestas
Por um regresso seguro a casa
José Artur Neves
Sec. de Estado da Proteção Civil
DISCURSO DIRETO
As vivências da emigração portuguesa nos palcos do teatro
Daniel Bastos, Historiador
PORTUGAL
Defesa de nova visão sobre as comunidades portuguesas
José Luís Carneiro
PORTUGAL
Um eterno e constante devir....
José Caria, diretor-adjunto da PORT.COM
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ