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Portugal perdeu a Eurovisão, mas ganhou mais-valias para o país
Revista PORT.COM • 13-Mai-2018
Portugal perdeu a Eurovisão, mas ganhou mais-valias para o país



Há um ano Salvador Sobral arrancou 758 pontos com 'Amar Pelos Dois', este ano Portugal terminou no fundo da tabela, com 39. Mas o facto de Portugal organizar o concurso, trouxe mais-valias para o país.

Depois da vitória histórica de Salvador Sobral na Eurovisão, em 2017, Portugal terminou a edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção em último lugar.

'O Jardim', a canção de Isaura cantada por Cláudia Pascoal, foi o tema menos pontuado da noite.

Numa cerimónia dominada por Israel, cuja canção 'Toy' se sagrou vencedora, 'O Jardim' obteve 39 pontos, depois de uma votação modesta quer do júri de outros países, quer dos espectadores da Eurovisão.

No entanto, existem vários pontos positivos para Portugal. Segundo o professor de Turismo e investigador sobre o fenómeno da Eurovisão, Jorge Mangorrinha a organização do Festival Eurovisão da Canção pela primeira vez por Portugal deixa no país 12 mais-valias "de ordem sociocultural e de ordem económica, desde a perceção dos públicos e da população residente aos organizacionais e empresariais", explica Jorge Mangorrinha à agência Lusa.

O investigador defende, como um dos possíveis ganhos, a criação do "Jardim Amar Pelos Dois" em Lisboa. O jardim simbolizaria, no espaço público, os temas das duas canções portuguesas: "A que trouxe a Eurovisão a Portugal ['Amar Pelos Dois'] e a que representou [Portugal] em Lisboa ['O Jardim'], e celebraria todas as representações portuguesas na Eurovisão através de 'storytelling'". A juntar a esta ideia, destaca, como segundo ponto, o "benefício intangível na melhoria do orgulho público" perante a realização portuguesa de um evento internacional no país, "amplamente promocional, e face à projeção internacional da capacidade de fazer".

O investigador associa como terceiro ponto, a demonstração de um modelo de organização do evento "mais racional", onde se conjuga a cultura com outras dimensões do evento, como a urbana, a tecnológica, a convivial e festiva, a política, a ritualística, a mediática e a turística. Mas também reitera, como ponto seguinte, a importância do "papel pedagógico" da programação musical da RTP e o "alargamento cultural dos seus horizontes".

Mangorrinha lembra, como quinto ponto, que os impactos de um grande megaevento "se prolongam durante muitos anos, como se confirma com o benefício para este evento eurovisivo da realização da Expo'98, há 20 anos, e da construção das suas infraestruturas e equipamentos, porque a existência do Altice Arena ajudou a reduzir o investimento na organização eurovisiva". A consolidação da marca de Lisboa, como "cidade de eventos e não apenas uma cidade com eventos", é um dos traços distintivos que decorrem do passado recente e que é reforçado com esta realização.

Há ainda o "reforço da diversidade turística do destino e das novas tendências de procura", potenciando a oferta e os novos visitantes que fizeram estada nestes dias na capital portuguesa e que procuram "dimensões múltiplas de vivência, em alguns momentos relacionadas com a fantasia ou a transcendência". Também sustenta que se vê reforçada a promoção do país, através dos "Postais de Portugal" gravados pelas diferentes delegações, tendo em vista "o regresso dos atuais visitantes e da vinda de outros motivados pela transmissão à escala universal".

Mangorrinha destaca, ainda, um ponto relacionado com a perceção por parte das empresas portuguesas da importância em se associarem a eventos, de forma a ganharem destaque no mercado. E um outro ponto, mais relacionado com os agentes públicos, a importância de "um amplo espaço de debate em torno da natureza e das implicações das políticas culturais e urbanas que se apoiam neste género de realizações".

A excecionalidade e o mediatismo do evento poderão exercer influência sobre o alargamento da sua especificidade a públicos mais abrangentes, refletindo-se cultural e economicamente, pelo que Jorge Mangorrinha defende, como último ponto, "mas não menos importante no contexto dos festivais", que "uma canção deve ser sempre vista como valor estratégico integrado".

Jorge Mangorrinha é doutorado e pós-doutorado nas áreas de Urbanismo e Turismo e é autor, entre outros, de um estudo sobre como Lisboa se deveria preparar para receber o festival.


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