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Escritor cabo-verdiano Germano Almeida é o Prémio Camões 2018
Revista PORT.COM • 23-Mai-2018
Escritor cabo-verdiano Germano Almeida é o Prémio Camões 2018



O prémio, que chegou este ano à sua 30.ª edição, foi anunciado em Lisboa.

Germano Almeida nasceu na ilha da Boavista em 1945. Atualmente vive em São Vicente, para onde se mudou em 1979, depois de alguns anos a viver em Portugal, onde se licenciou em Direito na Universidade de Lisboa.

Para o escritor, «a grande vantagem de São Vicente sobre as demais ilhas é uma capacidade de absorção das pessoas».

Em 2015, com “Regresso ao paraíso”, Germano Almeida voltou à Boavista, a "Ilha Fantástica" (nome de uma das obras emblemáticas do escritor).

«A Boavista é a minha ilha e o meu refúgio. Sou um homem da Boavista e, de tempos a tempos, regresso ao meu paraíso», afirmou na altura.

Cabo Verde tem sido assunto de vários dos seus livros, muitos dos quais classificados como romances, embora Germano Almeida se assuma como um “contador de histórias”.

«Estou a escrever um romance. Sempre disse que sou um contador de histórias e desta vez vou escrever um romance. Acho que é o meu primeiro romance», afirmou o escritor em agosto do ano passado, enquanto preparava o “O fiel defunto”, livro editado este mês em Portugal pela Caminho.

O novo livro do escritor cabo-verdiano é uma "história completamente ficcionada", que se distingue dos outros que já escreveu pela "riqueza de pormenores".

Além de escritor, Germano Almeida é também advogado, profissão que exerce atualmente, tendo sido procurador da República de Cabo Verde e cofundador da revista Ponto & Vírgula, do jornal Aguaviva e da Ilhéu Editora, que publica a sua obra em Cabo Verde. Na década de 1990, fez parte do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MPD).

Germano Almeida tem obras editadas no Brasil, Espanha, França, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca.

Em julho do ano passado referiu que não sente "nenhuma necessidade de ser lido e conhecido lá fora.

«Para mim, Cabo Verde é o centro do mundo. Escrevo para ser entendido pela minha gente e ficaria desiludido se os cabo-verdianos não me entendessem. Fico muito contente de ser lido em Cabo Verde. Se lá fora for lido e traduzido também fico contente, mas não escrevo a pensar nisso, nem é uma preocupação minha», disse.

Na mesma ocasião, exortou os poderes públicos a apoiarem a tradução de obras de autores cabo-verdianos.

«Cabo Verde ainda não tem uma literatura-mundo porque sozinhos não conseguimos chegar ao mundo. Diversos livros meus foram traduzidos para diversas línguas estrangeiras, todos com o apoio de Portugal, nenhum com o apoio de Cabo Verde», afirmou.

Dois dos seus livros, “Testamento do Senhor Napumoceno” e “Os dois irmãos” foram adaptados ao cinema pelo realizador português Francisco Manso. O primeiro estreou-se em 1997 e o segundo este ano.


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