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A guitarra portuguesa no feminino
Revista PORT.COM • 01-Jul-2018
A guitarra portuguesa no feminino



Abandonou a engenharia, área em que se licenciou, para abraçar o seu sonho de menina, a música. Hoje, com uma carreira promissora, Marta Pereira da Costa é a única guitarrista profissional de Fado em todo o mundo. Passado, presente e futuro passaram pela conversa com a PORT.COM.

A pergunta que se impõe: como tudo começou?

Tudo começou antes da guitarra portuguesa. Começou com o piano aos 4 anos que estudei e pratiquei até aos 18. Curiosamente aos 8 anos quis aprender guitarra clássica, mas só aos 18, por iniciativa do meu pai que é apaixonado pelo fado e pela guitarra portuguesa, comecei a ter aulas O meu pai tinha muito gosto que eu aprendesse, não havia mulheres a tocar e foi saber quem poderia ser o melhor professor para mim. Foi às casas de fado, falava com inúmeras pessoas e recomendaram-lhe o Carlos Gonçalves, que foi guitarrista da Amália e professor de muitos profissionais que hoje em dia tocam. Tive uma aula experimental, gostei tanto e ele gostou tanto de mim que me emprestou uma guitarra para trazer para casa. E tudo começou. Passei a ir a casas de fado, a conhecer guitarristas, a querer sentar-me ao lado deles e tocar também. Pedia a todos para me ensinarem e, como já tinha formação musical, foi muito mais fácil.

A minha primeira casa de fado foi com o Mário Pacheco, com quem fiz os primeiros concertos, comecei a viajar e a tocar e tudo era fantástico. Tinha 19 anos na altura. Só que ao mesmo tempo estava a tirar um curso de engenharia civil, no Instituto Superior Técnico, mas acabou por ser fácil compatibilizar. Às vezes tinha de faltar a uns testes, mas passei os cinco anos do curso a dizer que ia desistir, apesar de ter excelentes notas, porque o que eu queria era ser música. E então combinei com os meus pais que primeiro tirava o curso e depois seria a vez da música.

Então como é que a engenheira se tornou guitarrista?

Claro que não aconteceu de imediato. Logo no ano em que acabei o curso casei-me, fui para o LNEC fazer investigação, mas a vontade de tocar continuava lá. A verdade é que não me dedicava à guitarra como queria. Entretanto tive dois filhos, gémeos, também já dava aulas de piano e senti que não estava a chegar ao nível que queria, que me permitisse seguir uma carreira como guitarrista. Foi então que, em 2012, o meu marido, fadista, convidou-me para gravar o disco dele, o que eu achei um ato de loucura pois notei que não estava preparada para tocar sozinha. Mas ele quis fazer essa experiência e foi um período em que apreendi e evolui imenso e consegui perceber que, se tivesse tempo, este era o caminho.

Estávamos então em 2011 e tinha andado um ano a preparar-me para deixar a engenharia e dedicar-me à guitarra. Era o momento de arriscar. Voltei a estudar, comecei a compor também nessa altura, concorri à Escola Superior de Música e consegui entrar – o que não foi fácil pois as vagas para licenciados eram muito poucas – mas correu tudo muito bem e este marco foi fundamental para abraçar uma carreira profissional. Esse ano foi louco de trabalho pois apareceram-me numerosos concertos. Estreei-me no Canadá, num clube de música importantíssimo, casa cheia e foi um sucesso, foi uma noite que nunca mais vou esquecer. E senti, “bolas”, finalmente estava a fazer aquilo que queria fazer.

Esse primeiro ano mostrou-me isso. Tive tantos concertos, as Festas de Lisboa, sei lá. Toquei com a Kátia Guerreiro, com o Carlos do Carmo, com a Marisa, continuei a tocar com o Mário Pacheco e depois comecei a compor e tive uma proposta de uma realizadora para fazer a banda sonora para uma curta-metragem. Adorei a experiência e foi também a partir dai que comecei a pegar na guitarra, sem estar a estudar, sem estar a preparar concertos, só a ouvir e a tocar para onde eu queria ir.

 

Leia a entrevista na integra, na edição de julho da Revista PORT.COM: http://www.revistaport.com/revista


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