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Médico português lança livro sobre missões humanitárias em zonas de guerra
Revista PORT.COM • 04-Nov-2018
Médico português lança livro sobre missões humanitárias em zonas de guerra



‘O mundo precisa de saber’ é o título do livro que o médico português Gustavo Carona escreveu, uma compilação das primeiras missões humanitárias que realizou na República Democrática do Congo, Paquistão, Afeganistão e Síria.

O anestesista de 38 anos contou como uma lesão o afastou do desporto e o levou para a medicina, área pela qual se apaixonou, e como uma viagem a Moçambique lhe deu a «sensação que seria obrigatório usar os saberes onde mais são precisos», começando aí um trajeto de nove anos de missões humanitárias por zonas de conflitos mundiais.

Foi na antiga colónia portuguesa, diz, que abriu «os olhos para o que se passava no terreno» e conheceu algumas pessoas dos Médicos Sem Fronteiras (MSF). Percebendo que os seus «sonhos passavam por aí», pouco depois juntava-se à organização e estreava-se na primeira missão humanitária, no Congo, em 2009.

Depois dessa missão surgiu a necessidade de escrever, não só por vontade de dizer às pessoas o que se passava ali, mas porque durante uma viagem de dois meses pelo continente africano leu, numa revista turística, que «houve uma guerra [no Congo]», mas que já tinha acabado.

«Quando vi aquilo comecei a chorar. Uma publicação tão fidedigna, lida em todos os países, e escrevem uma coisa destas, quando tinha acabado de sair de lá e tinha visto o sofrimento de tanta gente, as consequências do conflito em milhões de pessoas. Aquilo foi uma estaca que entrou no meu coração. Como é possível ser esta a opinião que passa para o mundo?», questionou.

Depois de seis meses em África, quando regressa ao seu dia a dia sentiu «uma certa revolta com o consumismo e a superficialidade», algo que tentou combater por sentir que não tem «direito de fazer julgamentos morais ou críticas invasivas em relação ao que as pessoas fazem».

«É difícil sair desse prisma, de ser convicto nos ideais, sem atacar o estilo de vida das outras pessoas que são diferentes. Entrar num ‘shopping’ e ver pessoas a entrar em lojas de marca, quando passei tanto tempo a ver crianças com a mesma ‘t-shirt’ todos os dias e a gola a passar o umbigo. Ver tanta pobreza e sofrimento e sentir que estamos preocupados em comprar o último modelo de um telemóvel. É difícil sentirmo-nos bem com este desequilíbrio e injustiças», admitiu.

Neste momento, o médico anestesista está a escrever o segundo livro original, que vai relatar duas passagens pela República Centro Africana, a missão em Mossul e um regresso ao Congo, de onde chegou há cerca de um mês.

No próximo mês parte para o Burundi e tem também agendadas missões no Iémen, em fevereiro, e em abril segue para a Faixa de Gaza.


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