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Promoção da língua e cultura portuguesa no estrangeiro dá Medalha de Mérito a escritor João de Melo
Revista PORT.COM • 12-Mar-2019
Promoção da língua e cultura portuguesa no estrangeiro dá Medalha de Mérito a escritor João de Melo



O escritor João de Melo recebe, hoje, a Medalha de Mérito Cultural pelo seu «inestimável trabalho» literário, que tem contribuído para a promoção da língua e cultura portuguesa no estrangeiro.

«Em reconhecimento do inestimável trabalho de uma vida dedicada à produção literária e à escrita, à melhor promoção do nosso País no estrangeiro, tanto da Língua como da identidade cultural portuguesa, ao longo de mais de cinquenta anos, entende o Governo Português prestar pública homenagem ao escritor João de Melo, concedendo-lhe a Medalha de Mérito Cultural», afirma o Ministério da Cultura.

A cerimónia de entrega da medalha terá lugar hoje, dia 12 de março, às 15H30, na Sala D. João VI do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

O escritor açoriano, nascido João Manuel de Melo Pacheco, no dia 4 de fevereiro de 1949, em Achadinha, freguesia do concelho do Nordeste, Ilha de São Miguel, mudou-se para o continente aos 11 anos, após terminar o ensino primário.

Frequentou o Seminário dos Dominicanos - onde descobriu o gosto pela leitura e pela escrita da literatura - até 1967, ano a partir do qual ficou a viver em Lisboa, tendo recomeçado os seus estudos liceais ao mesmo tempo que trabalhava na função pública.

Em 1970, integrou o exército, tendo cumprido o serviço militar no norte de Angola durante 27 meses e em zona de guerra, com o posto de furriel e a especialidade de enfermeiro.

Essa vivência inspirou algumas das suas ficções, como os romances ' Memória de Ver Matar e Morrer' (1977) e 'Autópsia de um Mar de Ruínas' (1984), este último considerado uma obra de referência na literatura portuguesa sobre o tema colonial.

Após a revolução de Abril, trabalhou na vida sindical e revelou novos autores, muitos dos quais consagrados na literatura portuguesa atual.

Publicou o seu primeiro livro de contos, 'Histórias da Resistência' em 1975, a que se seguiram ensaios literários e textos críticos, poesia e a Antologia Panorâmica do Conto Açoriano. Em 1983 edita aquele que se tornou um dos romances mais lidos, 'O Meu Mundo não é Deste Reino', que colocou o seu nome a par da geração dos novos narradores dos anos 1980, com a particularidade de libertar o regionalismo insular para um imaginário suscetível de tomar os Açores por um "lugar de todo o mundo".

Em 1988, 'Gente Feliz com Lágrimas', a sua obra mais conhecida, veio em definitivo selar essa dimensão de «universalidade», sendo distinguida com vários prémios literários e adaptada ao teatro e à televisão, em série e telefilme.

Várias outras obras suas foram merecedoras de distinções e foram traduzidos em Espanha, Itália, França, Holanda, Roménia, Bulgária, Estados Unidos, Hungria, Alemanha, Reino Unido, Sérvia, México e Colômbia.

João de Melo desempenhou durante nove anos (2001-2010), o cargo de conselheiro cultural na Embaixada de Portugal em Madrid, Espanha, tendo criado em 2003, na capital espanhola (e depois noutras cidades) a "Mostra Portuguesa".

Foi por sugestão de João de Melo que os Ministérios da Cultura de Portugal e Espanha decidiram criar em 2006 o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura, cujo regulamento redigiu.

O escritor foi condecorado com a Ordem de Santiago da Espada, Grau de Cavaleiro (1989), e com a Ordem do Infante Dom Henrique, Grau de Comendador (2015). Recebeu a Medalha de Mérito Cívico da Assembleia Regional dos Açores (2009) e o Diploma de Mérito Municipal do Nordeste (2008). É cidadão honorário deste concelho desde 2014.


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