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Trap: a subcategoria do hip-hop que já faz sucesso em Portugal
Revista PORT.COM • 14-Abr-2019
Trap: a subcategoria do hip-hop que já faz sucesso em Portugal



O género musical em expansão adquiriu, nos últimos anos, um espaço próprio e já popularizou no país luso.

Quem é o diz (ou canta) é o Spotify. O serviço de streaming revelou que, no ano passado, a lista de músicas mais ouvidas era liderada por Drake, com o tema “God’s Plan”, seguido de XXXtentacion com “SAD!” e de Post Malone e 21 Savage com “Rockstar”, todos artistas com ligações ao género trap.

No feminino, as vozes mais ouvidas foram as de Ariana Grande, Dua Lipa e Cardi B.

Na mesma lista, Blaya, Wet Bed Gang, MC Kekel, MC Rita, Juice WRLD, Lartiste, Bad Bunny e Ozuna, figuravam, representando o hip-hop, latin-trap e funk, uma tendência que também se verifica nos primeiros meses do presente ano.

Benji Price, rapper, produtor e membro da editora Think Music, afirmou que «basta ouvir como elementos de trap têm sido incorporados em todo o tipo de música pop na última década, da Rihanna à Beyoncé, ou do rap português ao K-pop da Coreia do Sul, para constatar a influência desta sonoridade à escala mundial».

Alexandre Ribeiro, subeditor da publicação Rimas & Batidas, acrescentou ainda que, nos dias de hoje, «é raro encontrar músicas de hip-hop populares sem elementos de trap».

O New York Times descreveu, em dezembro último, a forma como os artistas deste género musical dominavam os streamings «com origens em cenas diferentes» enquanto «performers, extremamente dotados em autoapresentação nas redes sociais» e que «trabalham com uma gramática comum».

Alexandre Ribeiro esclareceu que «as redes sociais são absolutamente fulcrais» uma vez que, através delas, «o artista se liga diretamente com o público», evitando o papel intermediário das editoras e promotoras. «As editoras portuguesas não conseguem apanhar 1% dos fenómenos mais ligados ao trap que já têm números assinaláveis nas redes sociais, YouTube e Spotify», assegurou.

 

Mas o que é o trap?

Surgiu na década de 2000, em bairros sociais do sul dos Estados Unidos, como Houston, Texas, Atlanta e Georgia. O termo refere-se às casas onde se traficava droga e o estilo foi desenvolvido num ambiente de criminalidade.

Na América, o trap «é matéria pop há algum tempo», sob o qual já surgiram o emo-trap e o latin-trap mas, ao contrário do que acontece nas terras do tio Sam, em terras de Camões ainda se «está a abraçar o trap», de acordo com Alexandre Ribeiro, que defende que só este ano, com o novo álbum de ProfJam “#FFFFFF”, é que se estreia «um artista com características trap ser domínio pop em Portugal».

A popularidade deste estilo, segundo Benji Price, deve-se ao «crescimento do hip-hop e da eletrónica», que lhe permitiu crescer como «sonoridade dominante no hip-hop». Alexandre Ribeiro explicou que, «dum ponto de vista sociológico» podemos dizer que a «agressividade» sonora e temática do trap abraça os adolescentes atuais como o «punk e o rock há umas décadas», «apesar de agora completamente inserido na esfera pop».

Ice Burz, produtor de “Sauce” de Sippinpurpp e “Dr. Bayard” de Mike El Nite, considera que a adolescência é caraterizada como uma fase de «violência, consumo e depressão», temas comumente abordados no trap, o que pode explicar a adesão, em particular, do público mais jovem. Apesar disso, Benji Price frisa que, em termos temáticos, o trap «não há-de ser diferente» de qualquer forma de arte, uma vez que o estilo engloba uma grande variedade de temas «universais», como a tristeza, o sexo, a violência. No caso deste último, o trap não difere muito do hip-hop, entendendo-se essa «expressão artística» como uma «parte biográfica».

«Há quem fale de experiências que viveu, experiências que sabe que outros viveram e há quem simplesmente reflita acerca disto ou daquilo, mas não me parece que qualquer dos cenários seja feito com a intenção de ter ‘shock value’», disse o rapper português.

Benji Price acredita que o trap é o presente da música considerada ‘mainstream’, num ambiente em que a «música dita urbana como o hip-hop e o r&b dominarão o ‘mainstream’ por alguns anos».


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