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É Sexta-feira Santa e não pode comer carne. Porquê?
Revista PORT.COM • 19-Abr-2019
É Sexta-feira Santa e não pode comer carne. Porquê?



Há uma maioria que ainda estranha a pergunta. No entanto, se é católico, e pela lei atual da Igreja, essa determinação ainda é válida e está, portanto, em pleno vigor.

A Páscoa, comemoração que relembra a crucificação e celebra a ressurreição de Jesus Cristo, acontece durante a Semana Santa, período do Cristianismo que tem início no Domingo de Ramos, dia que marca a entrada de Cristo em Jerusalém. Ela é considerada uma das mais importantes datas comemorativas que simboliza uma nova vida, nova era, esperança. Já a Quaresma representa os 40 dias que antecedem a Páscoa, e corresponde a uma forma de penitência realizada pelos fiéis cristãos. É comum as pessoas fazerem promessas durante esse período e absterem-se de carnes vermelhas.

Mas porque é que algumas pessoas não comem carne vermelha na Sexta-Feira Santa? Conhecida também como Sexta da Paixão, é um dia reservado para a prática da abstinência, que os católicos reservam para o reconhecimento do sacrifício de Jesus Cristo. Segundo as escrituras da Bíblia, Jesus viveu e morreu para salvar todas as pessoas dos seus pecados.

Por isso, a Igreja Católica recomenda aos fiéis que reconheçam o sacrifício que foi a vida daquele que dá nome ao cristianismo. A abstinência de carne vermelha, presente no cardápio da maioria das pessoas, e o jejum, são algumas das recomendações. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a Igreja recomenda que todas as sextas-feiras do ano sejam reservadas à abstinência de carne e não apenas àquela considerada Santa.

Já a tradição de comer peixes na Sexta-Feira Santa deve-se às leis da Igreja, que classificam a abstinência de “animais terrestres”. As leis de abstinência consideram que a carne vem apenas de animais como galinhas, vacas, ovelhas ou porcos – todos eles vivem em terra. As aves também são consideradas carne. Peixes, por outro lado, não estão nessa mesma classificação.

Os peixes são uma categoria diferente de animal. Os peixes, anfíbios, répteis (animais de sangue frio) e mariscos são permitidos.

Em latim, a palavra usada para descrever que tipo de “carne” não é permitida às sextas-feiras é carnis, e se refere especificamente a “carne animal”, nunca incluindo peixe como parte da definição. Além disso, o peixe nessas culturas não era considerado uma refeição “comemorativa”.

A nossa cultura atual é muito diferente, já que a carne em muitos países pode ser considerada a opção mais barata do cardápio e já não tem a conexão cultural com as celebrações. É por isso que muitas pessoas estão confusas sobre os regulamentos, especialmente aquelas que apreciam muito comer peixe e não consideram uma penitência ficar sem carne.

A intenção da Igreja é encorajar os fiéis a oferecer um sacrifício a Deus que venha do coração e una o sofrimento de alguém ao de Cristo na cruz.

A carne é considerada a penitência básica, mas o sentido da regra deve ser sempre recordado. Por exemplo, não dá necessariamente a uma pessoa a licença para comer um jantar de lagosta todas as sextas-feiras na Quaresma. O principal é fazer um sacrifício que atraia uma pessoa para mais perto de Cristo, que por amor a nós fez o sacrifício supremo.

Recorde-se também que a data de comemoração varia entre os dias 22 de março (data do Equinócio) a 25 de abril.


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