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Exposição de porcelana realça papel de Coimbra no contacto com a China
Revista PORT.COM • 19-Mai-2019
Exposição de porcelana realça papel de Coimbra no contacto com a China



Uma exposição de porcelana chinesa foi inaugurada este fim de semana em Coimbra, para ajudar a compreender o papel mediador da cidade no contacto de Portugal com a China desde o século XVI.

Coimbra foi o centro «do encontro cultural e científico da expansão portuguesa» ao longo dos séculos, salientou à agência Lusa o professor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho.

O investigador falava a propósito de um programa que a Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC) promoveu no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, incluindo uma exposição intitulada 'Memórias da China Imperial em Santa Clara-a-Velha'.

A mostra apresenta parte da coleção de porcelanas do monumento, cuja construção foi iniciada em fins do século XIII, para acolher religiosas mendicantes da Ordem das Clarissas.

Segundo a diretora regional da DRCC, Susana Menezes, a iniciativa visa responder a uma pergunta: "Porque é que uma comunidade que professava votos de pobreza e simplicidade tinha uma coleção dessas?".

A partir deste questionamento, «vai-se tentar descobrir as histórias que estão por detrás desses artefactos», adiantou.

O evento foi concebido no âmbito das comemorações do Ano de Portugal na China, que decorre em simultâneo com o Ano da China em Portugal, para assinalar os 40 anos do restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países e os 20 anos da transferência da administração de Macau para a República Popular da China.

A Direção Regional pretende «tornar visível a presença da China» em Portugal e em Coimbra, acrescentou Susana Menezes.

 

Coimbra teve papel central no contacto dos portugueses com a China

O navegador português Jorge Álvares foi o primeiro europeu a chegar por mar à China, em 1513, tendo morrido no Império do Meio em 1521.

«Muitos dos missionários jesuítas que partiram para Pequim estiveram em Coimbra» durante a sua formação académica e alguns foram embaixadores e bispos na China, realçou Ramos de Carvalho.

O papel central de Coimbra no contacto dos portugueses com a China teve início no reinado de D. João III, com a instalação definitiva da Universidade na cidade, em 1537, e reforçou-se quando aqui foi criado o Colégio de Jesus, em 1759.

Por este estabelecimento, como estudantes ou professores, passaram matemáticos e astrónomos jesuítas da Europa que depois foram em missão para o Extremo Oriente.

«Por aqui passou muito do relacionamento intelectual com a China», sublinhou o ex-vice-reitor da Universidade de Coimbra para as Relações Internacionais.

A coleção de porcelana chinesa de Santa Clara-a-Velha reúne 400 peças parcialmente reconstruídas e sete mil fragmentos recolhidos durante as escavações arqueológicas no mosteiro.

A maioria dos artefactos remonta à dinastia Ming (1368-1644), sobretudo às épocas dos imperadores Jiajing (1522-1566) e Wanli (1573-1610).


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