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1ª Circum-navegação: 500 anos depois, Fernão de Magalhães ajuda-nos a pensar melhor a globalização
Revista PORT.COM • 20-Set-2019
1ª Circum-navegação: 500 anos depois, Fernão de Magalhães ajuda-nos a pensar melhor a globalização



Faz hoje precisamente 500 anos, partia de Sanlúcar de Barrameda, sul de Espanha o navegador português Fernão de Magalhães, com um objetivo: dar a volta ao mundo “por mares nunca dantes navegados”. Ao serviço do rei de Espanha, Carlos V, organizou a primeira viagem de circum-navegação à Terra, liderando uma frota de cinco navios, com cerca de 240 homens a bordo.

A 20 de setembro de 1519, 40 dias após terem zarpado de Sevilha, as cinco naus Trinidad, (capitaneada por Fernão de Magalhães), Concepción, San Antonio, Santiago e Victoria, num total de 237 homens (incluindo 33 portugueses), iniciam a travessia oceânica em direção a oeste a partir de Sanlúcar de Barrameda, na foz do Guadalquivir.

A viagem não foi fácil e Magalhães nunca viria a chegar ao fim da expedição, tendo morrido a 27 de abril de 1521, em Mactan, nas Filipinas, já na rota de regresso a Espanha.

Apenas a nau Victoria, comandada por Elcano concluirá a viagem de circum-navegação do planeta, regressando a Espanha em 6 de setembro de 1522 por uma rota que tentou evitar as "águas portuguesas" do Índico. Em Sevilha, dos 237 tripulantes iniciais, desembarcaram 17 sobreviventes da primeira volta ao mundo por mar em 1.125 dias.

Sendo este um dos grandes marcos da história nacional, no final do verão do ano passado, o governo português anunciou a criação de uma comissão para as Comemorações do V Centenário da Circum-navegação comandada pelo português Fernão de Magalhães, que começaram este ano e se prolongam até 2022.

“O exemplo de Fernão Magalhães ajuda-nos a pensar melhor sobre os temas dos oceanos, das comunicações entre as pessoas, da cooperação entre países diferentes e entre povos diferentes, da ciência, da tecnologia, do casamento entre o conhecimento da ciência e a sua aplicação lógica”, referiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. 

«Aquilo que Magalhães e os outros fizeram, em 1519, foi pensar o seu mundo, as oportunidades do seu mundo, as descobertas possíveis, as maneiras possíveis de abrir novos caminhos e novos espaços», referiu o Ministro, acrescentando que também é isso que nos importa fazer hoje: «pensar a globalização».

Com um horizonte de três anos, o programa das comemorações conta já com dezenas de iniciativas centradas em três eixos - conhecimento, economia e cooperação - para assinalar os 500 anos da primeira expedição marítima que deu a volta ao mundo, promovida pelo navegador português e pelo marinheiro basco Juan Sebastiánn Elcano.

Dimensão internacional das comemorações

Santos Silva referiu também a dimensão internacional das comemorações, uma vez que a expedição de Fernão Magalhães constituiu «um esforço de cooperação» em que participaram «pessoas provenientes de diversos países».

«A concertação entre os países, as culturas e a cooperação entre as sociedades é o alimento essencial de que nós precisamos para enfrentar os problemas que nos tocam hoje a todos», referiu ainda.

Estamos «a trabalhar ativamente com outros países, como o Chile ou o Uruguai, que também vão comemorar esta expedição, porque o trajeto de Magalhães é simboliza bem aquele que é o lugar e o papel de Portugal hoje no mundo: uma ponte que liga a Europa, a América Latina, a África e a Ásia», disse ainda.

Augusto Santos Silva comparou os portugueses ao navegador pelo facto de serem «um pouco destemidos», procurarem saber «o que importa saber em cada momento e não ter medo de, com esse saber, desafiar fronteiras criando novas fronteiras».

«Se a fronteira mais importante que nós temos que abrir hoje é a da cooperação internacional entre vários continentes e vários países, Magalhães é uma boa ajuda para isso», afirmou.

Também a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, em declarações à imprensa, referiu que a iniciativa «vai procurar trazer, para os dias de hoje, aquilo que foram acontecimentos que marcaram o mundo», designadamente, «o início da globalização, o início da inovação tecnológica que permitiu aumentar o conhecimento e, também, o início da nossa forma de estar, que é fazer parcerias, e através de parcerias, sejam elas locais, com Espanha ou a nível global».

 


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