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Há 20 anos, calava-se a grande voz do fado, da cultura e língua portugueses
Revista PORT.COM • 06-Out-2019
Há 20 anos, calava-se a grande voz do fado, da cultura e língua portugueses



Considerada uma das melhores vozes do fado de todos os tempos, Amália Rodrigues promoveu a cultura, a língua e o fado, transmitindo a alma portuguesa dentro e fora do país. A rainha do fado morreu em casa, aos 79 anos, a 6 de outubro de 1999, recebendo honras de Estado por parte do governo e do povo português.

Amália tornou-se conhecida mundialmente como a rainha do fado e, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo.

A fadista aparecia em vários programas de televisão pelo mundo fora, onde não só cantava fados e outras músicas de tradição popular portuguesa, como canções contemporâneas (iniciando o chamado fado-canção) e mesmo alguma música de origem estrangeira (francesa, americana, espanhola, italiana, brasileira). 

Marcante contribuição sua para a história do Fado, foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados. Teve ainda ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e escritores, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre, Alexandre O'Neill. 

Amália falava e cantava em castelhano, francês, italiano e inglês. Até à sua morte, em outubro de 1999, foram editados 170 álbums assinados pela artista, vendendo mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, em Julho 1920, e foi criada em Lisboa desde cedo. Em 1929 cantou pela primeira vez em público, numa festa da Escola Primária que frequentava, na Tapada da Ajuda. Trabalhou desde muito cedo, como bordadeira, operária e vendedora de laranjas e flores.

Aos 15 anos desfilou na marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez acompanhada à guitarra.

Com 19 anos estreou-se no Retiro da Severa e, um ano depois, era artista exclusiva e com repertório próprio no Solar da Alegria. Nesse mesmo ano, Amália torna-se a principal atracção da revista “Ora vai tu”, no Teatro Maria Vitória, a primeira de uma série de participações no teatro de revista.

Em 1943 actua pela primeira vez no estrangeiro, em Madrid. Várias vezes recordou esta viagem pela oportunidade de cantar canções espanholas e flamengo.

Em 1944, viaja para o Brasil para actuar no Casino Copacabana. O sucesso foi tal que, em vez das seis semanas previstas, Amália actuou durante três meses. Foi também neste que celebrizou “O Fado do Ciúme” e “Ai Mouraria”, ao lado de Hermínia Silva na opereta “Rosa Cantadeira”.

O primeiro disco de Amália Rodrigues, “Perseguição / As penas”, de 78 rotações, foi gravado no Brasil, em Outubro de 1945.

Em 1947, aos 27 anos de idade, Amália estreia-se no cinema, no filme de Armando Miranda, “Capas Negras”, que bateu todos os recordes de exibição. Ainda neste ano estreia o seu segundo filme, “Fado”.

História de uma Cantadeira” – Em sequência deste trabalho, recebe em 1948 o prémio no CNI para melhor actriz de cinema.

No ano seguinte, aos 29 anos de idade, cantou pela primeira vez em Paris, no Chez Carrer, e em Londres, no Ritz. – Em 1950 actua nos espetáculos do Plano Marshall pela Europa como única intérprete ligeira num elenco clássico.

Em 1951 grava pela primeira vez em Portugal para a editora Melodia.

Actuou em Nova Iorque, em Hollywood, na ex-União Soviética, no Japão e foi em 1954 que a convidaram para um pequeno papel no filme francês “Os Amantes do Tejo”. Neste filme Amália interpreta “Canção do Mar” e “Barco Negro”, duas músicas que correram mundo arrastadas pelo sucesso do filme.

Aos 38 anos de idade estreia-se na RTP, no papel principal da peça “O Céu da Minha Rua”. Apesar da longa e notável carreira, apenas em 1985, com 65 anos de idade, Amália dá o primeiro grande concerto a solo no Coliseu dos Recreios em Lisboa.

Editou nesse mesmo ano o álbum duplo “O Melhor de Amália – Estranha Forma de Vida”, trabalho que permaneceu oito meses no top, com vendas acima dos cem mil exemplares. Seguiu-se o segundo álbum de compilações, “O Melhor de Amália volume II Tudo Isto é Fado”.

Em 1987, é publicada a biografia oficial de Amália.

Em 1995 grava o último álbum, “Pela Primeira Vez”, e em 1997 é editado “Segredo”, um álbum de gravações inéditas.

A 6 de Outubro de 1999, Amália Rodrigues morre, em sua casa, repentinamente, ao início da manhã, com 79 anos, poucas horas depois de regressar da sua casa de férias no litoral alentejano. 

Dois anos depois, a 8 de Julho de 2001, o seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa (após pressão dos seus admiradores e uma modificação da lei que exigia um mínimo de quatro anos antes da trasladação), onde repousam personalidades consideradas expoentes máximos da nacionalidade.

 


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