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Portugal e Galiza querem dieta atlântica Património Mundial da UNESCO
Revista PORT.COM • 21-Set-2019
Portugal e Galiza querem dieta atlântica Património Mundial da UNESCO



O lançamento formal da candidatura da dieta atlântica a Património Mundial da UNESCO será o ponto alto do I Melting Gastronomy Summit, a decorrer nos dias 14, 15 e 16 de novembro na Alfândega do Porto.

O presidente da Associação para a Promoção da Gastronomia e Vinhos (AGAVI), António Souza-Cardoso, avançou também que este é «um projeto para ser concretizado em 2021, com uma intensidade de trabalhado muito grande no ano anterior para a sua instrução».

António Souza-Cardoso explicou que a ideia começou a ganhar corpo «há um ano e meio» no âmbito do projeto de cooperação transfronteiriça entre o Norte de Portugal e a Galiza designado InternovaMarket-Food, orientado para a competitividade empresarial e financiado por fundos europeus.

O projeto reúne cinco entidades galegas e quatro portuguesas, sendo uma destas a já referida AGAVI, e foi daí que surgiu a ideia da candidatura da dieta atlântica a Património Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

«O receituário galaico-duriense inspirou toda a gastronomia da região Norte e da própria Galiza», destacou António Souza-Cardoso, referindo que produtos como «o polvo, o marisco, o peixe, os caldos e as sopas ou os vinhos da casta Alvarinho são ex-líbris destas duas regiões» do Noroeste peninsular.

O dirigente associativo salienta que «é necessário preservar e mapear esse receituário comum» e isso passa pela qualificação de uma dieta de raiz atlântica, por contraponto com a dieta mediterrânica, que em 2013 foi classificada como Património Mundial e Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

«Devemos acentuar que também temos uma janela atlântica que merece ser registada e diferenciada» a nível gastronómico, por ser «muito ancorada no mar, no consumo de peixe e de marisco» e que está no centro de «uma gastronomia riquíssima», considera o presidente da AGAVI.

António Souza-Cardoso ressalva que «tudo o que seja extraordinariamente influenciado pelo Atlântico faz parte deste projeto e Portugal inteiro deve abraçar esta causa» que vai ser a candidatura a Património da Humanidade.

A AGAVI pretende liderar esta candidatura enquanto parceira do projeto luso-galaico InternovaMarket-Food e acolherá no I Melting Gastronomy Summit a constituição da Confraria da Dieta Atlântica, comprometendo-se esta a instruir em 2020 o dossiê da referida candidatura.

Aquele dirigente vincou que quer Portugal «a capitanear a equipa que se vai apresentar à UNESCO com o projeto», considerando desde já que o mesmo «tem todos os requisitos para obter esse reconhecimento, tal como teve a dieta mediterrânica».

«Temos de ser nós os capitães de equipa desta cruzada que é transformar a dieta atlântica numa dieta de tendência e de futuro», reforçou, avançando ainda que «a candidatura será apresentada em 16 de novembro, que é o Dia Internacional do Mar».

«O outro projeto que temos é o de fazer um verdadeiro roteiro de restaurantes do mar» certificados com um selo de qualidade, denominado (A)Mar, reconhecendo que o peixe e o marisco que têm nas suas ementas provêm de «boas práticas de aprisionamento, amanho e confeção», informou António Souza-Cardoso.

O roteiro dos estabelecimentos com essa certificação abrangerá o Norte de Portugal e a Galiza, podendo vir a ser a ser alargado a todos o território nacional e aos países europeus banhados pelo Oceano Atlântico.

O Melting Gastronomy Summit ambiciona «transformar o Porto na capital mundial da gastronomia» durante três dias, promovendo um debate e uma reflexão alargados entre chefes de cozinha, nutricionistas, antropólogos, filósofos, críticos, influenciadores e vários outros agentes ligados ao setor agroalimentar.

O projeto luso-galaico InternovaMarket-Food inclui as entidades galegas Centro Tecnológico de Carne, Confederação de Empresários de Pontevedra (CEP), Confederação Empresarial de Ourense (CEO), Confederação de Empresários de Lugo e associação empresarial ANFACO-CECOPESCA e as portuguesas Associação Empresarial de Portugal (AEP), Instituto Politécnico de Bragança e Instituto Politécnico de Viana do Castelo, além da AGAVI.


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