ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

Páscoa em Portugal: sabores e tradições de norte a sul
Revista PORT.COM • 11-Abr-2020
Páscoa em Portugal: sabores e tradições de norte a sul



De norte a sul do país a Páscoa é um dos momentos mais importantes do ano para muitas famílias. Conheça as principais tradições e inspire-se com os pratos e doces mais típicos da Páscoa.

 

A Páscoa é uma das datas mais queridas entre os portugueses, sobretudo no que às tradições seculares diz respeito e, claro, aos pratos e doces típicos que dão à festividade um brilho especial.

Celebrada como uma festa da família, independentemente das convicções religiosas, esta é uma comemoração de cor, alegria e muito sabor. É um momento para provar iguarias culinárias, como o borrego, os folares e as amêndoas, por entre tragos de convívio com a família e as gentes da terra.

De norte a sul, o país transborda de tradições, rituais, encontros e gastronomia, transmitidos de geração em geração, num legado único de lugar para lugar.

Minho

A festa passa pelo Compasso, um grupo liderado pelo pároco local, que carrega o crucifixo e percorre as casas para as benzer. Vários pratos típicos estão à espera do pároco: das bolas recheadas ao cabrito, passando pelo folar (que aqui é doce e chamado “pão-doce” em Vila do Conde e na Maia).
Há ainda as broinhas ou pão-de-ló, o afamado bolo de Margaride (Felgueiras) e os borrachos (pequenos fritos de ovos, açúcar, pão ralado e canela, típicos de Valença do Minho).
Em algumas freguesias de Ponte de Lima e Viana do Castelo existe a tradição do Jantar do Mordomo da Cruz, um banquete que reúne toda a freguesia e onde se elege um mordomo, que tem como tarefa transportar a cruz e pagar o almoço a todos.

Em Braga, a grande festa é na quinta-feira Santa, com a Procissão do Enterro do Senhor, cujos protagonistas são os Farricocos – homens descalços, de cabeça tapada, com túnicas roxas apertadas na cintura e que desfilam empunhando tochas, a evocar as práticas de reconciliação dos penitentes públicos, prática comum até ao século XVI.

Trás-os-Montes

Em Portugal as tradições da Páscoa estão intimamente ligadas à comida

A festa começa com o folar, que é recheado de carne de vitela, frango, coelho, porco, presunto e rodelas de salpicão, que enriquecem a massa com a sua própria gordura. Podem ser grandes e altos, como em Bragança ou Mirandela, ou achatados e pequenos, como em Freixo de Espada à Cinta. Junto à fronteira com Espanha, em Montalegre, faz-se a encenação da Queima do Judas, onde os bonecos representando o famoso apóstolo são queimados, esquartejados, apedrejados, afogados ou enterrados, num espetáculo que ensaia uma espécie de auto-de-fé popular.

Beiras

Aqui, o folar é feito com canela e erva-doce, enfeitado por um ou vários ovos cozidos ou coloridos. Na Covilhã degustam-se as empanadilhas da Páscoa (doce em forma de meia-lua, recheado de nozes ou amêndoas), as broinhas e os bolos de azeite. Na Beira Litoral, antes dos doces, come-se chanfana ou leitão assado, para marcar o fim do jejum da carne. Em Coimbra, Figueira da Foz e até em algumas partes do Alentejo, o fim do jejum de carne é feito com o Enterro do Bacalhau.

Alentejo

Aqui o borrego é o ingrediente principal. Aproveita-se inclusive o sangue e as vísceras para o sarapatel e também se comem as mioleiras de borrego. Seguem-se as queijadas, os bolos fintos e, claro, o folar. Em Elvas, o típico doce pascal é feito em forma de animais, como lagartos, borregos, pintainhos ou pombos, sendo depois decorados com amêndoas brancas e ovos cozidos. Já em Castelo de Vide, têm a forma de duplo coração. Nesta vila, no domingo de Ramos celebra-se a Bênção dos Ramos e a Procissão dos Passos do Senhor. Na manhã seguinte à Sexta-feira Santa, a tradição judaica fala mais alto, com os pastores da região a invadirem o centro da vila com os rebanhos, que são benzidos e vendidos para ementa Pascal.

Algarve

Em São Brás de Alportel, no domingo de Páscoa, a Primavera toma conta das ruas com a Festa das Tochas Floridas, uma procissão que dispensa os santos em andores e enche as ruas de alecrim, rosmaninho, alfazema e flores campestres. Compõem o quadro as colchas brancas e vermelhas nas varandas e as tochas nas mãos, para comemorar a ressurreição de Cristo. O que também adoça a boca é, um pouco mais abaixo no mapa, o folar de Olhão, também conhecido por folar de folhas, que junta ca nela e açúcar amarelo, limão e manteiga como principais ingredientes.

 

Fonte: Pingo Doce 


Etiquetas
Partilhar

NOTÍCIAS RELACIONADAS
OPINIÃO
A sua atitude de confiança conta: não só com o vírus...
Susana Cor de Rosa
Consultora empresarial
Os efeitos do medo do coronavírus...
Daniel Bastos
Historiador
Novo Coronavírus provoca epidemia com desfecho imprevisível
Alfredo Martins
Internista e Coordenador do NEDResp
DISCURSO DIRETO
A Fundação ISS e o apoio na África Lusófona
Eulalia Devesa, Diretora da Fundação ISS Mais Um Sorriso
PORTUGAL
«Cada vez faz menos sentido falar de emigração»
José Cesário, Deputado do PSD
PORTUGAL
O Projeto de Mobilidade na CPLP
Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios estrangeiros
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ