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Pedrogão, Figueiró e Castanheira têm pequenos oasis à espera de turistas
Revista PORT.COM • 27-Jun-2017
Pedrogão, Figueiró e Castanheira têm pequenos oasis à espera de turistas



Grande parte do interior norte do distrito de Leiria ficou reduzida a cinzas após o incêndio que começou em Pedrógão Grande, mas, pelo meio da negrura, avistam-se pontos verdes e empreendimentos que resistiram às chamas e que esperam agora pelo regresso dos turistas.

Em Figueiró dos Vinhos, a castiça aldeia de xisto de Casal de São Simão permanece intacta, numa pequena aldeia de Pedrógão Grande um empreendimento turístico livrou-se das chamas, noutra, uma quinta com mais de mil espécies de plantas parece um "pequeno oásis", e a Praia das Rocas, em Castanheira de Pera, fez ontem a sua reabertura.

"Somos um ponto verde no coração da área ardida", diz à agência Lusa Domingos Luís, de 65 anos, proprietário de um empreendimento na Carreira, freguesia da Graça, que se apressou a replicar a frase nas redes sociais após o incêndio.

Na pequena aldeia com cinco habitantes permanentes, restaram dois ou três hectares de área verde, circundante às casas de pedra que explora desde 2000 - "o resto, à volta, está queimado".

Foi a experiência dos habitantes da Carreira em lidar com incêndios que lhe salvaram o espaço, que Domingos não estava naquele lugar.

"Foi alguma sorte, ordenamento, limpeza da área e muito trabalho dos idosos que aqui vivem", conta Domingos Luís, sublinhando que quem vá até ao empreendimento "Casais do Termo" pode sentar-se no jardim e ter a sensação de que por lá o fogo não passou.

No entanto, "as marcações arderam todas".

Julho e agosto já estavam "praticamente cheios" de reservas, mas desapareceu quase tudo nos dias que se seguiram aos incêndios, desabafa Domingos, recordando que 2017 já estava a ser um ano bom, de recuperação.

"Fomos flagelados pelos incêndios e depois pela comunicação social", notou, apontando para as imagens que passam vezes e vezes sem conta do incêndio e das suas consequências.

A dez quilómetros das casas de turismo rural de Domingos Luís, fica Mosteiro e a sua praia fluvial. O caminho faz-se por entre estradas que sobem e descem montes, por onde tudo ardeu.

Na pequena aldeia, o incêndio passou na noite de dia 17 e cercou a aldeia.

Anabela Louro, que trabalha no bar da praia fluvial e que esteve no combate às chamas até às três da manhã daquele fatídico dia, contabiliza "quatro casas que arderam".

A praia quase que parece intacta, apesar de alguns vestígios da passagem do fogo.

"Esperemos que não afete [o turismo], mas esta semana tem afetado", conta Anabela, que mostra confiança - ainda que tímida - na melhoria da situação.

António dos Santos, nascido e criado em Mosteiro, regressou da Suíça há três anos por amor à terra e ao pai, de 86 anos, a precisar de companhia.

O calor secou as folhas das suas árvores de fruto, perdeu uma casa que tinha num terreno e 60 pés de oliveira.

"Isto era uma aldeia bonita. Talvez, do distrito, estando aqui na cova, era a mais bonita. Vinha cá muita gente. Agora, o turista este ano é capaz de não voltar. Volta para quê? Para ver cinza?", pergunta António, desolado, que considera que a recuperação vai demorar: "Nem daqui a dois anos".

Na aldeia de xisto de Casal de São Simão, no concelho de Figueiró dos Vinhos, a quinze minutos a pé das Fragas com o mesmo nome, as marcas do incêndio apenas se veem no caminho.

Chegando ao Casal de São Simão e descendo até às Fragas de São Simão, onde corre a ribeira de Alge, o incêndio quase que parece que não passou.

"É um pequeno oásis no meio das cinzas", confirma o gerente do restaurante da pequena aldeia, Renato Antunes.

Apesar de algumas desmarcações nos primeiros dias após o incêndio, já tem notado alguma recuperação.

Agora, Renato Antunes procura passar outra imagem que não aquela da estrada nacional 236.

"Um dia, se calhar, vamos ter um turista a pedir-nos indicações para a 'estrada da morte'", desabafou, realçando que o esforço passa por mostrar que ainda há beleza na região, como a ribeira de Alge, que continua a correr, à sombra de loureiros e sobreiros que habitam as suas margens.

 

"Queremos tentar passar outra mensagem. Ainda há aqui muita coisa para ver. Não é só fogo e queimado", sublinhou.

 

Foto em destaque ©Cláudio Nascimento


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