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Revista PORT.COM • 09-Jan-2017
Azar é nunca ter ido a uma “Sexta 13” em Montalegre



A vila transmontana volta a ser invadida por bruxas, feiticeiros e monstros, seres que coincidem com os visitantes de barriga cheia de cozido barrosão. A “Noite das Bruxas” é uma festa única em Portugal.

A sabedoria popular dita que o 13 é o número do azar e que quando combinado com uma sexta-feira, resulta num dia que traz pouca fortuna às pessoas. Porém, há uma vila portuguesa onde as sextas-feiras 13 são sempre recebidas com grande expetativa. Este ano, a “sorte”, que é como quem diz, o alinhamento do calendário, ditou que haja dois dias deste género. O primeiro é já em janeiro.

Na noite que sucede ao último dos dias úteis desta semana, Montalegre vai ser invadida por bruxas, feiticeiros, monstros, morcegos e… muitos foliões, como acontece todas as sextas-feiras 13. A festa começa logo à hora de jantar, com os restaurantes da vila transmontana engalanados a preceito, como se tivessem sido decorados pela varinha de uma bruxa.

A ementa faz-se, como não poderia deixar de ser, dos típicos pratos locais. Numa sexta-feira 13 que calha em janeiro, a escolha mais indicada recai no cozido, adornado pela extensa variedade dos enchidos locais de qualidade inquestionável, que no final do mês voltarão a ser protagonistas, na feira do fumeiro.

Mas há outras opções que não ficam atrás, como é o caso da posta. No fundo, mais importante do que a escolha do prato, é levar vontade de comer para Montalegre, porque nesta vila as doses servidas são sempre bastante generosas.

O jantar em si já vale a deslocação, mas à saída dos restaurantes, já toda a vila foi alvo do mesmo feitiço. Mascarados ou não, milhares de visitantes passeiam pelas estreitas ruas do centro histórico, com todos os caminhos a levarem até às imediações do castelo, onde está instalado o palco principal do evento.

Aqui, a música e o teatro representam o terror, com seres místicos a expressarem-se em diferentes idiomas e dialetos, por entre gargalhadas demoníacas. O mundo parece domado por estes seres, até que chega o Padre Fontes, com a receita da “Queimada do Esconjuro”, poção distribuída pelos visitantes.

A festa só termina a altas horas da noite, quando as fogueiras por toda a vila começam a apagar-se. Há lenha para aquecer multidões, mas os visitantes devem ir devidamente agasalhados, porque as noites são sempre frias.

Quem não conseguir ir desta vez, terá que esperar por outubro para “esconjurar todos os males”. A frase ainda não é um provérbio transmontano, mas pelos motivos apresentados nas linhas anteriores, azar é nunca ter ido a uma “Sexta-Feira 13” em Montalegre.

 

Imagens: www.facebook.com/sexta13montalegre


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