ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

Português lidera investigação sobre maior extinção terrestre
Revista PORT.COM • 08-Dez-2017
Português lidera investigação sobre maior extinção terrestre



O paleontólogo português Ricardo Araújo vai liderar uma equipa internacional que vai investigar em Moçambique o impacto da maior extinção da vida na terra, há 252 milhões de anos.

Ricardo Araújo, do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico e do Museu da Lourinhã, que acaba de ganhar uma bolsa da revista científica National Geographic para apoiar a investigação, explicou à agência Lusa que Moçambique é um dos poucos locais em todo o mundo cujas camadas rochosas registam a transição ocorrida entre o Pérmico e o Triásico, há cerca 252 milhões de anos.

Nesse período, que assinala também a separação entre as idades geológicas do Paleozóico e do Mesozóico, ocorreu "a maior extinção que existiu na Terra, em que se extinguiram cerca de 95% dos seres vivos na terra".

A extinção "absolutamente avassaladora e incomparavelmente superior em relação a qualquer outro período da história da Terra" terá sido provocada por gigantesca erupção vulcânica na zona da Sibéria, em que foram libertadas toneladas de gases com efeitos de estufa que, tal como acontece nos nossos dias, levou a uma profunda modificação do clima e da vida na Terra.

Com recurso à estratigrafia, a prospeção e a escavações, os investigadores têm a expectativa de encontrar fósseis pertencentes a novas espécies de fauna e flora junto ao Lago Niassa, nessa província moçambicana.

"Cerca de 95% das espécies foram extintas, portanto qualquer espécie do Triásico que seja encontrada será bastante interessante para percebermos que tipo de espécies são mais afetadas pelas extinções, se existe diferenciação em termos de tamanho dos animais ou em termos de cadeia trófica, se eram herbívoros ou se eram carnívoros, ou que tipo de animais conseguiram sobreviver a esta extinção", detalhou o investigador principal.

Pela correlação com outras camadas rochosas do Triásico, a equipa multidisciplinar, composta por paleontólogos, geólogos e engenheiros, espera descobrir em Moçambique, exemplificou, restos de Lystrosaurus, ancestrais dos mamíferos, que sobreviveram à extinção e cujos vestígios já foram escavados na África do Sul, Antártida, Zâmbia ou Rússia.

Ricardo Araújo explicou que é na transição entre o Pérmico e o Triásico que se originam os ancestrais dos principais grupos de animais vertebrados hoje existentes na Terra, justificando assim a importância desta investigação para perceber melhor a sua origem e a sua evolução ao longo de milhões de anos.

Além de Ricardo Araújo, a equipa internacional é composta pelo português Rui Martins, do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, pelos moçambicanos Dino Milisse e Nelson Nhamutole, do Museu Nacional de Geologia de Moçambique, pelos americanos Kenneth Angielczyk, do Museu Field, e Jim Crowley, da Universidade Estadual de Boise, por Sterling Nesbitt, da Universidade Técnica da Virgínia, e pelo sul-africano Roger Smith do Museu Iziko.


Etiquetas
Partilhar

OPINIÃO
O Observatório dos Lusodescendentes
Daniel Bastos
Historiador
La Lys: Celebrações com sentido reparador
Paulo Pisco
Deputado do PS
Ser português fora é ter Portugal dentro
Isabelle Coelho-Marques
Presidente da NYPALC
DISCURSO DIRETO
A Oriente nada de novo?
José Caria
PORTUGAL
“Acreditem no potencial que existe nas comunidades”
Isabelle Coelho-Marques
PORTUGAL
“Não foi por acaso que Portugal foi o melhor destino do mundo em 2017”
Pedro Machado
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ