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Mapa 3D de estrelas da Via Láctea revelado por cientistas portugueses
Revista PORT.COM • 28-Abr-2018
Mapa 3D de estrelas da Via Láctea revelado por cientistas portugueses



A equipa de cientistas portugueses envolvidos na Missão Gaia da Agência Espacial Europeia, disponibilizou, esta semana, o segundo pacote de dados recolhidos pelo satélite lançado no espaço em 2013, com o objetivo de mapear e perceber a posição exata de cerca 1700 milhões de estrelas da galáxia.

O satélite Gaia tem estado a recolher informações sobre as estrelas desde Julho de 2014. O principal objetivo da missão é a elaboração de um mapa mais rigoroso, para poder responder, por exemplo, a questões sobre origem e evolução do Universo que surgiu há milhões de anos pela teoria do Big Bang.

Desde o inicio do projeto que a equipa portuguesa composta por oito elementos e liderada por André Motinho de Almeida, professor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem estado a ajudar em todas as medições que chegam do espaço. Através de uma ‘startup’ têm conseguido ganhar contratos industriais na ESA, que permitem sustentar o envolvimento na missão, cada vez mais reconhecido lá fora mas sem o apoio nacional.

A primeira divulgação de dados do Gaia surgiu em 2016, no entanto, o novo catálogo, segundo a ESA em comunicado, eleva o censo sobre a Via Láctea para um novo patamar. 

O novo mapa tem a posição exata e o brilho de quase 1700 milhões de estrelas. E, entre elas, contém ainda a distância em relação a nós de cerca de 1300 milhões de estrelas, bem como o seu movimento aparente no céu, que se deve ao facto de se deslocarem em torno do centro da galáxia.

A importância de um catálogo com este tipo de informações está na capacidade de permitir construir mapas tridimensionais com bastante exatidão e precisão da distribuição das estrelas.

«É o primeiro mapa 3D em grande escala para a nossa galáxia, baseado em medidas diretas das posições das estrelas em relação a nós», salienta André Moitinho de Almeida, coordenador do grupo português na missão do Gaia, um consórcio internacional que envolveu 400 elementos.

O cientista português acrescenta que o satélite vai também ajudar a estimar o numero de estrelas na Via Láctea, o que por sua vez permitirá calcular a quantidade de matéria existente na galáxia.

O contributo do grupo português para a missão do Gaia centra-se essencialmente na criação de sistemas de pesquisa e de visualização dos dados. «O esforço está quase todo no desenvolvimento de sistemas para a visualização e exploração visual interativa da enorme quantidade de dados produzidos pela missão. Assim, um dos aspetos incide na investigação e desenvolvimento de formas de tornar acessível, do ponto de vista percetual, essa quantidade de informação avassaladora. Por outras palavras: tentamos tornar o inimaginável inteligível», nota o astrofísico português.

As imagens dão a sensação de serem fotografias, mas na realidade são representações geradas a partir de tabelas cheias de dados. Quando o primeiro catálogo do Gaia foi tornado público em 2016, a equipa portuguesa gerou imagens que se tornaram “o ícone da missão”.

 

A equipa espera que a missão do satélite Gaia seja prolongada até 2022, para se fazerem mais medições da posição e dos movimentos das estrelas.

 


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