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Portugueses estão a desenvolver alimentos que usam insetos como fonte proteica
Revista PORT.COM • 29-Mai-2018
Portugueses estão a desenvolver alimentos que usam insetos como fonte proteica



Empresas portuguesas estão a criar larvas de insetos que posteriormente são transformadas em farinhas para incorporar em bolachas, pão, patés e barras proteicas, tornando os alimentos ricos em proteína animal. Este projeto apenas aguarda autorização europeia para entrar no mercado da alimentação humana.

«Há muitos anos que os humanos comem insetos. No mundo ocidental deixámos de comer em certa altura da história e o que está em jogo neste momento é voltarmos a comer», disse à Lusa José Gonçalves, fundador da Nutrix, empresa de Leiria que produz framboesas biológicas e que tem em fase experimental a produção de larvas de grilo para alimentação humana.

Esta área impulsionou-se na medida mais recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), alertando para a necessidade de se encontrarem alternativas sustentáveis para produzir proteína animal, tendo em conta os impactos das fontes atualmente utilizadas - carnes de vaca, de porco e de frango.

«Do ponto de vista nutricional, os insetos são riquíssimos e, sendo, simultaneamente, sustentáveis do ponto de vista ambiental, é um dois em um que raramente se consegue com outros alimentos», frisou.

Guilherme Pereira, um dos fundadores da Portugal Bugs, empresa de Matosinhos que cria larvas de besouros pretos para alimentação humana e animal, destaca de igual forma as inúmeras vantagens desta iniciativa.

«Há insetos que conseguem ter a quantidade máxima de aminoácidos essenciais que precisamos e não conseguimos sintetizar. O ser humano precisa de proteína para conseguir sobreviver. Uns vão buscar à carne e outros aos vegetais, mas essas fontes proteicas são insustentáveis se pensarmos nos recursos hídricos que gastamos, no espaço que precisamos, nos gases com efeito de estufa que se libertam», afirmou.

Daniel Murta, um dos fundadores da EntoGreen, empresa de Santarém que está a desenvolver um projeto com vários investigadores da Estação Zootécnica Nacional (EZN) e do Instituo Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV, adianta que o uso destes insetos permite «fechar um ciclo» e constituir um «selo de sustentabilidade e de economia circular».

«Estamos a produzir animais que vão converter subprodutos alimentares. Estamos a utilizar o que não é utilizado nas cadeias de distribuição, a focar 100% em produtos vegetais que são gerados nas fábricas de produção alimentar e que estão completamente em condições de ser utilizados na alimentação animal (…), mas que acabam em aterro ou compostagem», disse.

A EntoGreen aproveita esses nutrientes, que de outra forma seriam desperdiçados, e reintegra-os na cadeia de valor, transformando-os em fertilizantes agrícolas com recurso aos insetos. Ao mesmo tempo produz «duas fontes nutricionais alternativas: a proteína de inseto e o óleo de inseto, comparadas com farinha de peixe e que começam a ser bastante apetecíveis, por exemplo na indústria de produção de aquacultura», acrescentou.

Enquanto decorrem todos os processos de aprovação necessária para alimentação humana, a Portugal Bugs já está a produzir tanto as larvas como o produto final, para quando puder entrar no mercado o fazer de imediato «sem depender de terceiros», sendo «mais competitivos» e garantindo a forma como os insetos são produzidos.

Por sua vez, a Nutrix está «em fase experimental» que, tal como a Portugal Bugs, vai incorporar, em forma de farinha, «em alimentos que já conhecemos, como, por exemplo, para enriquecer uma bolacha, uma barra proteica, um pão, um paté», já que acredita que «o consumo de insetos no mundo ocidental vai entrar por essa via» e não pelo consumo do animal inteiro, como acontece em outros pontos do mundo.


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