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Robôs não tripulados capazes de patrulhar fronteiras têm assinatura portuguesa
Revista PORT.COM • 09-Jul-2018
Robôs não tripulados capazes de patrulhar fronteiras têm assinatura portuguesa



Com um custo total de 13,9 milhões de euros, o SUNNY foi financiado em 9,5 milhões de euros pela Comissão Europeia, no âmbito do programa de investigação e desenvolvimento FP7.

Fazer atualmente o patrulhamento de fronteiras em países mediterrânicos, envolve, em alguns cenários, uma aeronave isolada com sensores que não são processados a bordo.

Com o objetivo de aumentar a segurança fronteiriça para controlo de migrações e, sobretudo, combater o crime que ocorre nestas travessias, a União Europeia financiou em quase 10 milhões de euros o projeto SUNNY que visa criar robôs não tripulados (drones) com a capacidade de patrulhar essas fronteiras.

De acordo com a informação enviada para a PORT.COM, o projeto SUNNY prevê o processamento de informação, a utilização de múltiplas aeronaves em conjunto no patrulhamento, um sistema de deteção, identificação e classificação automático, comunicações redundantes, ar-ar,ar-terra, um centro de comando e controlo único e aeronaves com voo autónomo com capacidade de integrar a perceção no loop de controlo.

O SUNNY é capaz de alterar o comportamento sensorial, de processamento ou trajetória das aeronaves, de forma automática, sem intervenção humana e em função do fenómeno que está a ser observado.

«O sistema integrado do SUNNY ainda não pode ser usado sem restrições, e aqui friso o ainda. Porém, os componentes de forma isolada já estão a ser comercializados. Dou o exemplo do sistema de imagem hiperspectralque foi produzido, que está a ser comercializado por uma empresa finlandesa ou o sistema de radar que está a cargo de uma empresa holandesa. No caso dos robôs, ou seja, as aeronaves, estão a ser comercializadas por uma empresa grega e há uma delas que pertence à Força Aérea Portuguesa», explica Hugo Silva, investigador sénior do Centro de Robótica e Sistemas Autónomos (CRAS) do INESC TEC.

No que diz respeito ao impacto que o SUNNY vai ter na vida dos cidadãos portugueses, Hugo Silva responde «projetos como o SUNNY não podem ser vistos com foco nos impactos no curto prazo, mas sim no longo prazo. O sistema que desenvolvemos é demasiado complexo do ponto de vista operacional para uma utilização imediata e, por isso, existe um caminho a percorrer em algumas das vertentes para que o sistema, como um todo, possa ser utilizado. No entanto, grande parte do trabalho desenvolvido já está a funcionar em ambiente o operacional e o que não está vai passar a estar brevemente». 

Pensando no caso português, a tecnologia desenvolvida pode ser aplicada para resolver outros problemas reais, como por exemplo os incêndios em Portugal, onde a utilização de drones para aplicações ambientais já está a ser estudada. É esse tipo de projetos que os investigadores do INESC TEC estão agora a tentar desenvolver.


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