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Português descobre como melhorar transplante celular para curar diabetes
Revista PORT.COM • 01-Jul-2019
Português descobre como melhorar transplante celular para curar diabetes



O cientista português Hugo Figueiredo descobriu, numa experiência com ratinhos, como melhorar o transplante de estruturas multicelulares do pâncreas para curar doentes com diabetes tipo 1, que dependem da toma diária de insulina.

O trabalho, publicado recentemente na revista da especialidade Science Translational Medicine, foi realizado nos últimos sete anos nos laboratórios do Instituto de Pesquisa Biomédica Augusto Pi-Sunyer, em Barcelona, Espanha.

Hugo Figueiredo descobriu que, eliminando uma determinada proteína, o desempenho das estruturas multicelulares do pâncreas transplantadas em ratinhos diabéticos melhorou e, em consequência disso, os sintomas da doença reverteram: os níveis de açúcar no sangue voltaram ao normal e os de insulina ficaram elevados.

Para o especialista em bioquímica e biomedicina, os resultados revelam-se promissores, na medida em que o transplante dos ilhéus pancreáticos, como se designam estas estruturas, tem sido apresentado como «uma terapia com grande potencial, pela sua capacidade curativa» e por ser «um procedimento muito menos invasivo» que um transplante de pâncreas.

Só que o principal obstáculo, que «impede que o transplante de ilhéus seja uma das principais terapias usadas, é a formação de vasos sanguíneos nas primeiras etapas depois de transplantar os ilhéus», disse à agência Lusa, esclarecendo que a «falta de irrigação» leva a que as estruturas multicelulares do pâncreas possam receber nutrientes e oxigénio, «necessários à sua sobrevivência», e exercer a sua função, «a de secreção de insulina em resposta aos níveis de açúcar circulantes» no sangue.

É nas estruturas multicelulares do pâncreas que se localizam as células que produzem a insulina, as chamadas células beta-pancreáticas.

Nos doentes com diabetes tipo 1, que se manifesta maioritariamente na infância, estas células estão destruídas e o pâncreas deixa de produzir insulina, a hormona que controla o açúcar no sangue.

Para suprimir essa falta, é-lhes administrada, por injeção subcutânea, insulina, um tratamento que, segundo Hugo Figueiredo, "não evita as complicações tardias da doença", como pé diabético, hipertensão arterial e retinopatia diabética.

«A administração de insulina permite aos que sofrem de diabetes melhorarem a qualidade de vida, mas não representa uma cura», ressalvou.

O que Hugo Figueiredo descobriu é que, eliminada a proteína tirosina fosfatasa 1B (PTP1B), que «existe em todas as células do corpo para regular funções celulares», os ilhéus pancreáticos formavam vasos sanguíneos de «forma mais eficiente» e, à custa disso, funcionavam e sobreviviam melhor.

As experiências foram feitas com ratinhos com diabetes tipo 1 que receberam ilhéus pancreáticos de outros ratinhos e de dadores humanos, aos quais foi removida a proteína.

As estruturas multicelulares foram transplantadas num dos olhos dos roedores para serem seguidas com a técnica de microscopia e «respeitando o bem-estar animal».

A equipa do investigador está, agora, a trabalhar numa terapia, para testar novamente em ratinhos, que atue diretamente nas estruturas multicelulares do pâncreas a transplantar.


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