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Estudo aponta «pegada de carbono negativa» das rolhas de cortiça
Revista PORT.COM • 10-Jan-2020
Estudo aponta «pegada de carbono negativa» das rolhas de cortiça



As rolhas de cortiça natural e as rolhas de espumante, dois dos principais produtos da indústria da cortiça, têm um impacto positivo na regulação do clima, segundo um estudo da consultora EY.

Apresentado ontem (9 de janeiro), em Santa Maria da Feira, durante um evento comemorativo dos 150 anos do grupo Amorim, que se assinalam em 2020, o estudo analisou o ciclo de vida das rolhas de cortiça da Corticeira Amorim e confirmou, segundo destaca a empresa, a «pegada de carbono negativa das rolhas de cortiça Amorim».

Encomendado pela corticeira para «avaliar os impactos associados ao processo produtivo e obter dados que permitam melhorar o seu desempenho ambiental», o trabalho apurou, através de um cálculo detalhado para a pegada de carbono da rolha de cortiça natural, «um balanço de carbono com um impacto positivo na regulação do clima de -5,7 gramas (g) de CO2eq [equivalência em dióxido de carbono]/rolha».

Já os resultados para a pegada de carbono da rolha de champanhe evidenciam um balanço de carbono com um impacto positivo de -2,5g de CO2eq/rolha, conclui.

Considerando o perímetro alargado que inclui o sequestro de carbono no montado de sobro associado à produção de cortiça, os resultados elevam-se para -309g CO2eq/rolha de cortiça natural e para -562g CO2eq/rolha de espumante.

O estudo da EY adotou uma abordagem ‘cradle to gate’, na qual o ciclo de vida do produto foi avaliado desde a obtenção de matéria-prima até à conclusão do processo de produção.

«No seu conjunto, estes dados confirmam o impacto positivo das rolhas de cortiça na regulação do clima, superando largamente as avaliações anteriores», destaca o grupo Amorim.

Isto porque, explica, comparando estes resultados com a avaliação anterior (PwC/Ecobilan, 2008) nas rolhas de cortiça natural, «verifica-se que os impactos comparáveis avaliados para as principais etapas do processo industrial e dos transportes foram reduzidos de -2,3g CO2eq/rolha para -4,3g CO2eq/rolha, ilustrando melhorias significativas no desempenho ambiental devido, nomeadamente, à eficiência no uso dos recursos e medidas de eficiência energética».

«Tendo em conta que o sobreiro retém o carbono ao longo da sua longa vida, e independentemente da extração de cortiça, a utilização económica do montado para a produção de cortiça viabiliza a perpetuidade de um ecossistema único, com externalidades positivas de valor inestimável para a sociedade, entre as quais o sequestro de carbono, contribuindo positivamente para a regulação do clima», sustenta a Amorim.

Segundo destaca, «numa altura em que a proteção do ambiente é mais importante do que nunca, as credenciais de sustentabilidade das rolhas de cortiça são cada vez mais valorizadas pelos consumidores nacionais e internacionais, a que se junta a reconhecida capacidade técnica superior da cortiça em termos de salvaguarda da qualidade dos vinhos».

Para analisar a pegada ambiental associada à produção das rolhas naturais e de espumante, o estudo realizado pela EY em 2019 centrou-se na avaliação do ciclo de vida (ACV) com base nas normas ISO 14040/44 (ISO, 2006), complementadas com as diretrizes do International Reference Life Cycle Data System (ILCD) Handbook - General guide for Life Cycle Assessment - Detailed guidance (EC-JRC, 2010).

A avaliação focou-se numa unidade funcional de 1.000 rolhas e analisou os impactos relacionados com a produção e consumo de matérias-primas, energia, emissões de processos, consumo de água, produção e transporte de resíduos em cada etapa, consideradas as categorias de impacto normalmente utilizadas nas ACV para produtos de cortiça.

Os dados associados à produção foram fornecidos pela Corticeira Amorim, enquanto os processos gerais de produção associados à produção de matérias-primas, energia, transporte e gestão de resíduos foram obtidos na base de dados ecoinvent 3.5 (Werner, et al., 2016).

Para avaliar a pegada ambiental ao longo de um ano inteiro (2018) foram recolhidos dados de consumo de energia e material, emissões atmosféricas, tratamento de resíduos e água para cada etapa. Potenciais impactos ambientais foram alocados aos produtos analisados e aos seus subprodutos após uma alocação de massa.


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