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Fundação Calouste Gulbenkian atribui prémio de 1 milhão de euros para o combate à crise climática
Revista PORT.COM • 31-Jan-2020
Fundação Calouste Gulbenkian atribui prémio de 1 milhão de euros para o combate à crise climática



A Fundação Calouste Gulbenkian atribuirá este ano, pela primeira vez, o Prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de 1 milhão de euros.

Este prémio vai distinguir pessoas ou organizações de todo o mundo que se têm evidenciado no combate à crise climática, e em particular na redução das emissões de gases de efeito de estufa; no aumento da resiliência das pessoas e do ambiente aos impactos das alterações climáticas; e na mobilização de recursos financeiros, públicos ou privados, para acelerar a descarbonização da economia.

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade distingue percursos inovadores com elevado potencial para auxiliar processos de mitigação das e/ou adaptação às alterações climáticas, uma das maiores ameaças do século, com consequências devastadoras no bem-estar das gerações atuais e futuras, na economia e nos ecossistemas naturais.  

A humanidade enfrenta uma crise climática sem precedentes e os seus impactes abrangem componentes essenciais para o desenvolvimento sustentável, tais como a saúde pública, o acesso a água potável, o ar limpo, a segurança na oferta alimentar e o abrigo seguro.  

A ciência indica-nos que os impactes das alterações do clima têm avançado a um ritmo mais acelerado do que o previsto e que os efeitos nos sistemas naturais podem ser irreversíveis.

Segundo a NASA, o clima global vai continuar a mudar, bem visível nas cada vez mais frequentes ocorrências de ondas de calor e secas, no aumento da temperatura da água do mar, no degelo dos glaciares ou nos eventos atmosféricos extremos. 

A temperatura média da superfície terrestre aumentou 0,9 °C desde o final do século XIX, um aumento causado maioritariamente pelo aumento de emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito de estufa na atmosfera e pelas alterações do uso do solo.

Grande parte deste aquecimento ocorreu nos últimos 35 anos, sendo que os 5 anos mais quentes, desde que há registo, ocorreram desde 2010. Na Europa, os meses de junho e julho de 2019 foram os mais quentes de sempre a nível mundial, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

Sem uma mudança drástica, as consequências continuarão a ser devastadoras para a humanidade, em especial para aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, os eventos atmosféricos extremos foram responsáveis, desde 2008, pela migração de 22,5 milhões de pessoas.

Segundo o Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas (IPCC, em inglês), milhões de pessoas da África Subsaariana, América Latina e Sudoeste Asiático terão de abandonar as suas casas devido ao aumento do nível da água do mar.

As perdas agrícolas e consequente volatilidade dos preços de produtos alimentares também podem ter um impacte arrasador: o relatório do World Employment and Social Outlook estimou, em 2018, que as alterações climáticas podem pôr em risco mais de 1,2 mil milhões de empregos em todo o mundo, nomeadamente nos setores da pesca, agricultura e florestas.

Atualmente, mais de 2 mil milhões de pessoas, um terço da população mundial, encontram-se em situações de pobreza ou quase-pobreza e enfrentam ameaças constantes aos seus meios de subsistência, incluindo as relacionadas com as alterações climáticas.

Dados referidos pelas Nações Unidas indicam que a crise climática poderá vir a ser responsável por colocar mais 100 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema até 2030.[5]  Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que as alterações climáticas possam causar, entre 2030 e 2050, um acréscimo de 250 mil mortes por ano, devido a má nutrição, malária, diarreia e stress por calor.

Naturalmente, os países com fracas infraestruturas de saúde – a maioria países em desenvolvimento – serão os menos aptos a responder a estas ameaças.

O Relatório do IPCC de 2018 demonstrou que é essencial limitar o aquecimento global abaixo dos 1.5ºC até ao final do século, comparativamente aos níveis pré-industriais, por forma a evitar impactes catastróficos. Isto significa reduzir as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030, atingindo a sua neutralidade em 2050.

O cumprimento destas metas requer uma mudança estrutural em vários aspetos da sociedade, apelando à ação urgente por parte dos governos, das empresas, das organizações não governamentais e das pessoas.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, na sequência da 21ª Conferência das Partes (COP21), rege medidas de redução das emissões de gases de efeito de estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global abaixo de 2ºC, preferencialmente abaixo dos 1.5 ºC.

No entanto, menos de 20% dos 184 países que ainda se regem pelo Acordo de Paris estão em vias de cumprir estas metas.  Durante a última Cimeira do Clima organizada pelas Nações Unidas (COP25), no final de 2019, salientou-se repetidamente a relevância dos atores não governamentais no combate à crise climática, o que se evidenciou após os resultados, pouco ambiciosos, alcançados na Cimeira.

Foto: © Fundação Caloust Gulbenkian


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