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Níveis de poluição na Avenida da Liberdade em Lisboa reduzem 60%
Revista PORT.COM • 29-Mar-2020
Níveis de poluição na Avenida da Liberdade em Lisboa reduzem 60%



Os níveis de poluição da Avenida da Liberdade, em Lisboa, tiveram na última semana uma redução de 60% em relação ao período homólogo, registando-se as concentrações mais baixas dos últimos sete anos, segundo um estudo da Universidade Nova.

As conclusões do estudo surge na sequência de uma diminuição do trânsito em Lisboa devido aos efeitos das medidas associadas à covid-19 e foi desenvolvido pelo CENSE - Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa.

Os investigadores do CENSE/FCT Universidade Nova avaliariam as concentrações de dióxido de azoto medidas em cinco estações de monitorização da qualidade do ar em Lisboa geridas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo com o objetivo de avaliar o impacte que as medidas de isolamento associadas à covid-19 estão a ter na redução da poluição do ar, especialmente o tráfego rodoviário.

A análise incidiu sobre o “historial de cinco estações de monitorização em Lisboa, três de tráfego (Avenida da Liberdade, Entrecampos e Santa Cruz de Benfica) e duas de fundo, estas últimas com menores concentrações, mas representativas de uma maior área de influência”.

“Baseando-nos já na análise de dez dias úteis, entre 16 e 27 de março inclusive, é possível concluir que no que respeita à comparação dos dias úteis da última quinzena com o total de dias úteis do ano de 2019, a redução da poluição varia entre 21% no Restelo, uma zona habitualmente com melhor qualidade do ar, 56% no caso da Avenida da Liberdade e 58% em Entrecampos”, segundo o estudo.

Na análise efetuada, os investigadores concluíram também que na última semana, nos dias úteis, na Avenida da Liberdade, os níveis de dióxido de azoto estiveram 60% abaixo da média anual dos dias úteis de 2019 e foi a semana com concentrações mais baixas dos últimos sete anos.

A concentração média de 23 mg/m3 (microgramas por metro cúbico) está próxima de metade do valor-limite para a concentração anual que é 40 mg/m3.

Foi também possível concluir que entre a primeira e a segunda semana com restrições em vigor, verificou-se uma redução de concentrações de 15% na Avenida da Liberdade e de 25% em Entrecampos e nos Olivais.

“Apesar da variabilidade que as condições meteorológicas introduzem sempre na análise dos dados, à medida que o tempo avança é possível confirmar com maior robustez um dos poucos aspetos positivos que a atual pandemia está a ter”, é destacado.

De acordo com os investigadores, o dióxido de azoto medido é principalmente consequência direta dos processos de combustão dos veículos, sobretudo dos que utilizam o gasóleo como combustível, que apresentam maiores emissões do que os veículos a gasolina.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Ferreira, professor na área da qualidade do ar na FCT da Universidade Nova e presidente da associação ambientalista Zero, esclareceu que os poluentes que atingem concentrações mais elevadas nas cidades, em particular em Lisboa, são o dióxido de azoto e as partículas inaláveis.

“Sabe-se que há uma relação direta entre a suscetibilidade da população exposta ao novo coronavírus e elevados níveis de poluição, já que o dióxido de azoto reduz a imunidade do organismo e as partículas são responsáveis por diferentes problemas respiratórios e cardiovasculares que tornam também o nosso organismo mais suscetível a doenças como a covid-19”, referiu.

Francisco Ferreira sublinhou também que, além da redução do tráfego rodoviário, há uma diminuição em outras fontes como os aviões e navios de cruzeiro e que também contribuem para uma melhoria da qualidade do ar.

“Temos de aprender com estes tempos difíceis para percebermos num caso concreto a relação entre os níveis de tráfego e a qualidade do ar de modo a, no futuro, implementarmos as medidas que nos assegurem cumprir os valores-limite de poluentes como o dióxido de azoto, o que não acontece atualmente”, disse.

No que diz respeito à aviação, Francisco Ferreira disse que, apesar de não haver medições, “é muito provável que tenha havido uma diminuição significativa”.


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