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Presidente da CGD: ‘O futuro não espera por nós’
Revista PORT.COM • 06-Abr-2017
Presidente da CGD: ‘O futuro não espera por nós’



Paulo Macedo lidera a Comissão Executiva que tem nas mãos os destinos do maior banco português, detido a 100% pelo Estado. Têm sido dias intensos desde o primeiro dia, mas Paulo Macedo já está habituado a desafios exigentes: foi Diretor Geral das Finanças entre 2004 e 2007 e foi Ministro da Saúde. Onde passou, deixou marca, e na Caixa não deverá ser diferente. A PORT.COM convidou o Presidente da Comissão Executiva da Caixa a falar sobre esta nova responsabilidade de preparar a Caixa para enfrentar as novas realidades.

Depois de ter colocado a máquina fiscal do Estado em ordem, e depois de 4 anos como Ministro da Saúde, talvez no período mais difícil, numa altura de estado de emergência, de cortes e restrições orçamentais, porque aceitou outro convite tão exigente para liderar a Caixa, talvez na altura mais difícil da sua longa história de 140 anos?

Não somos os únicos donos do nosso destino, às vezes é o destino que nos escolhe. Tenho tido diversos desafios profissionais interessantes e já me conhecem os defeitos e uma ou outra virtude. A Caixa não é só um banco, é uma marca nacional que está no coração dos portugueses. Está a viver um momento decisivo para o seu futuro e não podia dizer que não a mais esta batalha. Nós sabemos que para viver num ambiente de taxas de juro baixas, para aumentar a ligação dos clientes com o banco através das novas tecnologias, para estarmos preparados para as novas necessidades que surgem num mundo em constante mudança, só pode ser feito com o empenho de todos os que trabalham na Caixa. E é com eles que eu conto para fazer a reestruturação necessária, sem que a Caixa deixe de ser o banco líder em Portugal e uma referência para os portugueses.

Como se caracteriza a mudança que vão operar na Caixa?

A Caixa tem tido um problema a nível de rentabilidade desde há vários anos. Estamos a arrumar a casa. Em março fomos dotados de capital social que nos permite ter uma maior solidez e estamos agora a tratar da reestruturação, reduzindo a estrutura de custos e dotando a Caixa de produtos que venham ao encontro das necessidades dos clientes, que os nossos clientes estejam disponíveis para pagar, e pela qual sejam devidamente remunerados. Vamos ser mais céleres a responder às solicitações dos clientes. Vamos investir na inovação procurando formas mais eficazes responder ao que os clientes necessitam. O futuro não espera por nós.

Sabemos que vão encerrar balcões e que vão sair pessoas para a pré-reforma. Mas há mais no plano de reestruturação do que estas medidas?

A Caixa conseguiu que a Direção Geral da Concorrência Europeia autorizasse um aumento de capital significativo por parte do seu acionista, sem que isso fosse considerado uma ajuda de Estado, o que teria sempre implicações mais drásticas. Isto foi conseguido porque foi apresentado e aprovado um plano em que a Caixa se compromete a rentabilizar o capital que lhe foi disponibilizado tal como se de um investidor privado se tratasse. Isso não quer dizer que só tenha critérios económicos nas suas decisões. Sabemos o que a Caixa representa para os portugueses, das mais variadas gerações e que vivem em 4 continentes espalhados pelo mundo. Mas cada custo que temos, tem de ser avaliado, medido. Temos de ver se os clientes o querem suportar, o que acontecerá se oferecermos valor acrescentado.  Temos de ter um rigoroso controlo de risco, quando concedemos um crédito, temos de ser transparentes na relação com todos os parceiros, sejam fornecedores, Estado, autoridades de supervisão e clientes. Só com rigor na gestão é que a Caixa pode cumprir a sua missão de apoio à economia de forma dinâmica e saudável, suportando e apoiando todos aqueles que contribuem para o crescimento e o desenvolvimento do país.

A redução de custos vai implicar muitos sacrifícios?

O encerramento de balcões e a diminuição do número de efetivos tem sido comum a toda a banca nacional. Desde 2015, a banca em Portugal reduziu o número de efetivos em mais de 3.100 funcionários. Todos os bancos privados têm reduzido o número de agências em todo o país, aliás porque a maioria dos clientes querem serviços bancários sem terem de se deslocar às agências. Ainda assim, Portugal está acima da média no número de agências bancárias por milhão de habitantes: o último número conhecido, que é de 2015, diz-nos que Portugal tinha 541 agências bancárias por cada milhão de habitantes, quando a média europeia é de 300 agências. O setor abriu demasiadas agências para o negócio bancário que há hoje. Para além disso, os tempos estão a mudar. Os clientes vão cada vez menos às agências. Têm serviços bancários no telemóvel, através de aplicações cada vez mais eficazes, têm Caixas Automáticas e serviços de pagamento cada vez mais sofisticados e têm serviços de contacto por telefone cada vez mais fáceis. Mas até isto vai obrigar a revermos processos, procurando prestar serviços bancários de acordo com o canal pelo qual o cliente optou. Afinal, 95% dos recursos do banco são dos nossos clientes.

E os produtos bancários ao cliente, vão ser os mesmos?

A relação da Caixa com os seus clientes vai ser simplificada. Nós vamos ser mais rápidos a dar respostas às solicitações. Vamos simplificar quer ao nível da oferta de produtos e cartões, quer ao nível dos custos que os clientes têm com as comissões. Os clientes têm de saber quanto vão gastar, por mês ou por ano, em comissões bancárias. E, portanto, vão ter forma de escolher o grau de envolvimento com o banco. Vamos reorganizar a oferta de produtos e cartões disponíveis para que a relação seja mais fácil e ainda mais transparente.

E os clientes residentes no estrangeiro, o que podem esperar?

Os clientes da Caixa residentes no estrangeiro vão continuar a ter números de telefone dedicados sem custos, vão continuar a ter uma oferta de seguros no cartão de crédito específica para residentes no estrangeiro, isto é, vamos continuar a manter viva a relação com os clientes que vivem fora de Portugal. Vamos acompanhar as gerações de portugueses que vivem lá fora para que a Caixa continue a fazer parte da noção de portugalidade. Nós alteramos a assinatura da Caixa para A Caixa portuguesa, com certeza. Porque acreditamos que um banco 100% português desde 1876 é um património identitário nacional.

A Caixa tem estado muito na ribalta mediática. Isto tem desgastado a imagem que os clientes têm do banco?

É verdade que se fala muito no banco, e por vários motivos. Mas o que encontrei foi um aumento dos recursos dos clientes particulares mesmo nestes tempos mais conturbados. Quer dizer, eu gostaria que só houvessem notícias boas sobre a Caixa, sobre aquilo que a Caixa está a fazer. Mas os clientes sabem separar o trigo do joio. Eles conhecem os gestores de relação, os bancários nas agências. Sabem que o futuro da Caixa está na maneira como os seus colaboradores sabem responder, a cada momento, às reais necessidades dos clientes.

Tem sido essa relação que tem garantido, ao longo do tempo, que a Caixa continue a ser o banco líder em Portugal. Sei que temos ainda um caminho para estarmos ainda mais perto dos clientes. Vamos desenvolver produtos que respondam às necessidades dos mais velhos e vamos trabalhar para agarrar os mais novos para que estes não escolham outro banco quando começam a sua vida ativa. Afinal, os clientes são a razão da nossa existência.


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