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Adega Mayor e as vindimas no Alentejo
Mariana Silva • 14-Out-2017
Adega Mayor e as vindimas no Alentejo



Portugal é famoso pelos seus vinhos, que estão entre os melhores do mundo. Para celebrar as vindimas, nada melhor do que conhecer toda a tradição e participar no processo produtivo do vinho, desta vez em pleno Alentejo, onde a PORT. COM apreciou uma boa colheita, muito convívio e festa, numa viagem deslumbrante à Adega Mayor. Neste artigo pode ainda ler a entrevista com a diretora geral da Adega Mayor, Rita Nabeiro, e ficar a conhecer o Adega Mayor Seleção Branco 2016 que está entre os melhores vinhos do mundo.

O fim do verão e o início do outono é sinónimo de colheitas. Em Portugal abre-se a época das vindimas. “Uva a Uva, até um Vinho Mayor” foi o programa de Enoturismo da Adega Mayor escolhido para este ano, permitindo a todos viver a experiência única das Vindimas.

Pela brisa da madrugada e de tesoura na mão, iniciam-se os dias nas vinhas.  As uvas estão prontas para serem colhidas das videiras em ambiente de festa e convívio. As vindimas são uma época muito especial para todas as adegas, contam muitas histórias e traduzem-se em muitas tradições. Entre família, amigos e cânticos próprios, há muito que a vindima completa os verões e assinala um novo ciclo. 

Atualmente, sem os contornos de festa de tempos passados, as vindimas continuam a aliar o convívio ao trabalho fisicamente exigente. Com vista a manter a tradição, muitas quintas de norte a sul do país abrem as suas portas a quem queira experimentar e conhecer o mundo das vindimas. A adicionar a esta experiência, os visitantes podem ainda conhecer as mais imponentes e deslumbrantes adegas de Portugal.

A Adega Mayor é uma destas quintas que convida os seus visitantes a “Abrir os Sentidos” e a viver a cultura alentejana, conhecer os segredos e técnicas da vindima manual e todo o processo de transformação e produção de vinho. Com vinhas localizadas na Herdade das Argamassas e Herdade da Godinha, em Campo Maior, no Alentejo, a Adega Mayor tornou-se, desde logo, uma referência no Enoturismo português, por ser a primeira adega de autor construída em Portugal. Aqui as práticas e as técnicas da vindima manual têm passado de gerações em gerações e mantem-se a tradição da vindima manual em todo o território da Herdade das Argamassas, onde entre tratores e hectares de uva para colher, está uma equipa mayor que todas as manhãs arregaça as mangas e põe as mãos na terra.

Inaugurada em 2007, a Adega Mayor é o projeto vitivinícola do Grupo Nabeiro, onde a arte do vinho se cruza com a do arquiteto Siza Vieira. 

Nos últimos anos, quando abre oficialmente a época das vindimas, a Adega Mayor promove vários programas de Enoturismo. O deste ano, intitulado “Uva a Uva, até um vinho Mayor”, deu oportunidade aos visitantes de viver a cultura alentejana, conhecer os segredos e técnicas da vindima manual e todo o processo de transformação e produção de vinho, assim como visitar a Adega e realizar um workshop vínico, em Campo Maior. A iniciativa, que decorreu durante o mês de setembro, convidou todos os participantes a “Abrir os Sentidos” às vindimas e a desfrutar de um programa completo, que se iniciou com um passeio pelas vinhas, seguido de uma visita guiada à Adega Mayor, passando pelas zonas de vinificação e sala de barricas, para uma prova do mosto e de seis vinhos. A visita continuou com a passagem pelo Espelho de Água, onde é possível desfrutar da magnífica vista sobre a planície alentejana, culminando com um workshop de reconhecimento e prova de vinhos. Terminada a visita, os vários visitantes puderam desfrutar de um almoço tipicamente alentejano.

 

 Adega Mayor, Abre os Sentidos

Para a Adega Mayor, o ano de 2017 é sinónimo de mudança e celebração. No passado mês de junho, a Adega Mayor celebrou 10 anos e revelou a nova identidade visual. Para assinalar este novo ciclo, a marca abriu durante cinco semanas, a Pop-Up “Sem Título by Adega Mayor” no Chiado, em Lisboa, onde consumidores e clientes através de uma experiência gastronómica original, enalteceram a forma como o vinho abre os sentidos. O chef Nuno Bergonse, inspirado pelos vinhos da Adega Mayor, criou diferentes pratos que deram vida às telas do “Sem Título, by Adega Mayor” que substituíam as tradicionais mesas.

Com uma visão e posicionamento global, a nova arquitetura da marca e o seu universo gráfico são inspirados em diferentes expressões artísticas, assumindo a assinatura “Abre os Sentidos”. Este processo acompanhará a introdução das novas colheitas, chegando gradualmente ao mercado até ao final do ano.

A comunicação da marca, assente no eixo emocional, sublinha as relações humanas que se estabelecem em torno do vinho. “Sempre que abrimos uma garrafa de vinho, abrimos um mundo de possibilidades. Abrimos conversas. Abrimos desabafos. Abrimos jantares com amigos sem horas contadas. Abrimos histórias que contam sonhos. Abrimos os ouvidos às músicas que nos tocam de maneira diferente. Às cores com tons nunca inventados. Abrimos a alma e abrimos o coração. Abrimos os sentidos”.

“Há 10 anos que o nosso percurso é pautado por passos firmes, por uma relação de proximidade com os nossos clientes, mas sempre com os olhos postos no futuro e o mundo como horizonte. A nova imagem é fruto de uma reflexão profunda da Adega Mayor, afirmando aquilo que nos torna únicos. Acreditamos que esta mudança tornará a marca mais global, consistente e autêntica”, sublinha Rita Nabeiro, CEO da Adega Mayor.

 

Entrevista a Rita Nabeiro

Rita Nabeiro é Diretora-Geral da Adega Mayor, do Grupo Nabeiro. Formada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, o seu percurso profissional teve início em 2005 na área de design e comunicação. Dentro do Grupo Nabeiro, começou por integrar o departamento de marketing da Delta Cafés, mas a aposta do Grupo na área dos vinhos levou-a até à direção de marketing da Adega Mayor, onde se destacam projetos como as edições especiais e as Wine Talks. Em 2012, assumiu a direção geral da Adega Mayor, posição que ainda mantém.

 

Em entrevista à PORT.COM fala da sua paixão pelo trabalho que desenvolve na Adega Mayor, da vinha e dos vinhos que produz.

Qual é para si a atividade mais interessante das Vindimas? O que mais gostaria de destacar?

Desde sempre, que gosto de participar nas Vindimas do inicio ao fim da experiência. Participar na colheita das uvas, escolher os melhores cachos, acompanhar as trasfegas ou remontagens, provar os mostos até se transformarem em vinho e acompanhar o seu processo de evolução. Gosto verdadeiramente desta época, porque é o resultado do trabalho de muita gente, ao longo de muitos meses. São dias exigentes, com muitas horas de trabalho para quem está na adega e a na vinha, mas ao mesmo tempo, é um período muito gratificante e apaixonante.

 

A produção deste ano foi melhor face aos anos anteriores? Quantos litros/garrafas produz por ano?

Este ano a vindima começou mais cedo do que em anos anteriores. Tivemos um ano com pouca chuva, que se refletiu num ligeiro decréscimo na quantidade produzida no Alentejo. No entanto, do ponto de vista qualitativo a uva estava muito sã e esperamos ter um ano com uma excelente qualidade, quer nos vinhos brancos, tintos e rosés. Apesar de ainda não termos apurados os dados finais de produção contamos atingir 1 milhão de garrafas na produção de 2017.

 

Qual a qualidade que podemos esperar dos brancos e dos tintos?

Desde sempre que nos focamos em produzir vinhos de qualidade distinta, inovando e proporcionando aos nossos consumidores momentos únicos e memoráveis. Em 2016 apresentámos algumas novidades, nomeadamente as monocastas Pinot Gris e Viognier. O vinho branco Adega Mayor reserva conquistou a medalha de ouro e a distinção “Best of Show – Alentejano White”, o que colocou a fasquia bastante alta para 2017. Este ano foi muito positivo do ponto de vista qualitativo e, por isso, contamos obter brancos com muita personalidade, aromáticos e frescos ao nível ou superiores ao ano anterior. 

 

Qual o vinho que para si mais se destaca?

É difícil responder a essa questão. Felizmente, os nossos vinhos têm sido muito bem recebidos no mercado, em diferentes perspetivas. Cada vinho tem uma personalidade diferente e pode ser consumido em momentos distintos. Se o Caiado surpreende por um perfil frutado mas leve, os Reservas são vinhos mais complexos, onde procuramos elegância e uma frescura atípica para vinhos do Alentejo. Cada vinho é como um filho, com perfis e idades diferentes, mas com uma personalidade e perfil comum, por serem do mesmo produtor.

 

Vão desenvolver alguma edição especial ainda este ano?

As edições especiais são vinhos muito exclusivos, que só são produzidos em anos excecionais. Levam muito tempo a ser desenhados e podem ter que permanecer em estágio por longos períodos de tempo. Em 2018 se tudo correr como previsto, contamos ter novidades surpreendentes.

 

Para quantos mercados exporta e quais os que se destacam em termos de representatividade no negócio?  

Os mercados mais representativos do ponto de vista de negócio são aqueles onde o Grupo Nabeiro tem uma presença direta, nomeadamente a Suíça, França, Brasil, Angola e Luxemburgo. 

De forma indireta temos apostado no mercado europeu, nomeadamente na Alemanha, Dinamarca e Inglaterra. No outro lado do Atlântico, a América do Norte também tem contribuído para a quantidade exportada de vinho. A Adega Mayor está ainda presente em Moçambique, Cabo Verde e China.

 

O que considera fundamental na escolha de um bom vinho?

A escolha de um bom vinho envolve muitas variáveis. Uma primeira que é fundamental, até fazendo justiça ao vinho, é ter em consideração o momento e a circunstância em que vai ser bebido, com quem e com o que é que vai ser consumido. Todos estes fatores podem condicionar a nossa perceção do produto.

Há ainda que ter em consideração que a apreciação de um vinho, por envolver todos os sentidos, é algo subjetivo. Há excelentes vinhos de baixo preço e, por outro lado, não quer dizer que por ser mais caro seja bom ou do nosso agrado.

Nesse sentido, é fundamental ter consciência do perfil de vinho, a proveniência, o ano de colheita, o produtor e até as castas.

O nosso conhecimento aumenta através da experiência, que nos ajuda a perceber melhor o que gostamos ou não gostamos. Mas se ainda assim restarem dúvidas, devemos tentar procurar aconselhamento com os profissionais do sector, seja nos restaurantes ou em garrafeiras, que nos podem recomendar um bom vinho, adequando-o ao momento em que irá ser consumido. 

 

Adega Mayor Seleção entre os melhores do mundo

Os vinhos da Adega Mayor voltam, uma vez mais, a brilhar em provas internacionais ao serem premiados, pela quarta vez consecutiva, no concurso alemão Mundus Vini e serem reconhecidos, pela segunda vez consecutiva, por Robert Parker, crítico de vinhos de renome internacional. 

O Adega Mayor Seleção Branco 2016 foi premiado com Medalha de Ouro e distinguido como Best of Show Alentejano White no Mundus Vini 2017. Um vinho que abre os sentidos aos instantes foi selecionado, não só como um dos melhores do mundo, mas também eleito como o melhor vinho branco da região do Alentejo. 

“Vinho elegante e alegre, rico em aromas a frutos tropicais maduros e algumas notas de casca de citrinos. De cor cristalina, revela na boca um exotismo, uma estrutura e persistência surpreendentes. Para a mesa ou para a esplanada, uma companhia bastante versátil”, refere a adega em comunicado.

A qualidade da Adega Mayor volta assim a destacar-se numa das competições mais importantes de vinho, que avalia cerca de 10.000 vinhos, e junto do critico de vinhos mais influente do mundo.

Outro dos vinhos Mayores premiado com a Medalha de Ouro foi o Adega Mayor Viognier 2016 e com Medalha de Prata o Adega Mayor Verdelho 2016.

O Pai Chão 2013 e o Reserva do Comendador 2013 acabam de ser classificados com 91 e 90 pontos pela prestigiada prova de vinhos do Wine Advocate do Robert Parker, cuja prova foi feita pelo crítico americano Mark Squires.

 “Esta é uma importante conquista para a Adega Mayor. Desde logo, porque premeia a qualidade dos nossos vinhos e o nosso compromisso com um percurso de excelência. Além disso, é um reconhecimento por parte de especialistas internacionais, que reforça a notoriedade de marca internacionalmente e que concretiza a nossa missão de levar o nome de Portugal e o que de melhor se faz do Alentejo para o mundo”, sublinha Rita Nabeiro.


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