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Morreu Belmiro de Azevedo, o homem Sonae
Revista PORT.COM • 29-Nov-2017
Morreu Belmiro de Azevedo, o homem Sonae



Belmiro de Azevedo, o homem forte do Grupo Sonae, morreu esta quarta-feira, aos 79 anos de idade, no Hospital da CUP no Porto.

Belmiro Mendes de Azevedo começou a sua carreira na empresa EFANOR e terminou em 2015, como chairman do grupo SONAE, que liderou até 1974, para entregar os destinos deste importante grupo nacional ao seu filho Paulo Azevedo. Em paralelo com a sua atividade empresarial, criou em 1991, a Fundação Belmiro de Azevedo, dedicada ao mecenato nas áreas da educação, das artes, da cultura e da solidariedade.

O Diretor da revista PORT.COM, que trabalhou com Belmiro de Azevedo nos anos 80, sempre lhe reconheceu os seus dotes de líder e empresário com uma visão e determinação estratégica nos negócios. Não é por acaso que uma das frases que define o perfil dos trabalhadores do grupo é “O homem SONAE ou é líder ou candidato a líder”. Sempre rodeado pelos melhores e tendo como base o conhecimento, a experiência e o trabalho, conseguiu erguer um dos maiores grupos económicos em Portugal, dando emprego a milhares de trabalhadores. Sabia ganhar com as derrotas, detestava a incompetência e era exigente com os “mandriões”.

Para todos lhe prestarmos as devidas homenagens e conhecermos melhor a sua vida e obra, julgo que nada melhor o poderá definir como algumas das frases que pronunciou ao longo da sua durante vida e que agrupámos por capítulos:

 

Os pais

"A capacidade intelectual da minha mãe e as suas qualidades de trabalho eram superiores. Gostava muito do meu pai, mas ele gostava mais de jogar as cartas, de ir às romarias, de ter uns derriços"

In Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

O padrinho

"O meu padrinho é uma das minhas referências (…) Era singularmente honesto, incorruptível"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

A mulher

"Casei-me em 1963 com uma mulher fantástica"

Expresso, 1999

 

O filho Paulo, que o sucedeu na Sonae

"Foi desenhado por mim. Fez a mesma carreira em ziguezague, mas tem vantagens sobre mim, desde logo porque fala fluentemente quatro línguas estrangeiras"

Visão, 2007

 

Os estudos

"Costumo afirmar que gostaria que fossemos todos viciados em aprender e maníacos da perfeição. Isto faz parte da minha filosofia de vida há muito tempo"

Marketing e Publicidade 1986

 

"Se eu não me atualizar constantemente, passam-me para trás"

Visão, 1997

 

"Não fui um marrão nem tinha tempo para o ser. Cheguei a dar 10 horas de explicações por dia" "Sou obsessivo quanto ao conhecimento"

 

"Há uma coisa que recomendo a todos os estudantes, sobretudo de matemática: nunca passar à frente sem ter percebido tudo. Ganha-se eficiência e confiança"

Expresso, 1999

 

"O conhecimento é hoje a vantagem competitiva fundamental"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

A universidade

"Os docentes universitários deveriam passar por uma espécie de serviço militar no sector privado, em que o tempo contaria a dobrar, como acontecia aos militares que no antigo regime iam para Angola"

Expresso, 2007

 

A gestão

"Gerir em tempos de turbulência é principalmente saber gerir o timing da inovação e, em particular, da inovação tecnológica"

Clube de Negócios

 

"As modas da gestão leio-as todas. Nunca segui nenhuma, mas aprendi muito com elas"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

"A gestão nada tem de misterioso. É uma arte simples que se reduz a bom senso mais formação mais boa informação. E, sobretudo, o que conta é o bom senso"

Expresso, 1985

 

"Defendo a gestão participativa e procuro aplicá-la nas nossas empresas. Não é tanto por definição tática, mas no sentido de aproveitar ao máximo as capacidades de todos, mantendo-lhes um estímulo que é essencial para o bom rendimento. Eu acredito que só se pode participar em objetivos quando se colaborou na sua definição"

Marketing e Publicidade, 1986

 

"Isto tem muito a ver com a minha formação desportiva: ganhar, perder, receber e dar caneladas”

Semanário Económico, 1987

 

Empreendedorismo

"Um empreendedor é uma pessoa que nunca acredita na derrota. É uma pessoa que tem o vício de fazer coisas que nunca ninguém fez antes e faz isso um pouco por intuição, por ambição e por inspiração"

Diário Económico, 2009

 

A Sonae

"A Sonae gosta de projetos inovadores"

Expresso, 1991

 

"Podemos ser agressivos uns com os outros na Sonae. Quando se é polido em excesso, corre-se o risco de a mensagem não passar como deve. Um grau correto de pressão é importante. Não conheço ninguém que tenha batido recordes no treino"

Finantial Times, 1994

 

"A Sonae é uma espécie de escola prática de negócios. Orgulho-me de ser o professor de muitos alunos dessa escola. Isso dá-me tanto gozo como criar riqueza e transformar oportunidades em bons negócios"

Visão, 1999

 

"Portugal já é demasiado pequeno para a Sonae"

 

"Temos de nos assegurar que não entramos em negócios corruptos"

Visão, 2001

 

"Faz parte dos valores e da cultura da Sonae ser independente. É proibido ser subserviente"

Semanário Económico, 2004

 

"(…), tanto eu como a Sonae comportamo-nos sempre não tanto como contra poder, mas como não próximos do poder. É bom para a democracia e para o funcionamento do governo que os empresários sejam independentes e discordem"

Público, 2005

 

"Na Sonae, temos feito uma gestão de quadros superiores em ziguezague (…) É preciso criar alguma inquietude porque as pessoas têm de provar com frequência o seu direito ao lugar"

Expresso, 2007

 

" (A Sonae) sempre perdeu nos negócios que dependiam do estado português"

Apresentação de contas da Sonae, 2007

 

"Em 1985, a Sonae liderou a Bolsa. Daí para a frente, tudo aquilo que fizemos fomos obrigados a desfazer, no Totta, no BPA, na Portucel, na PT"

 

"A sucessão da Sonae foi a mais bem preparada que houve em Portugal"

Público, 2013

 

O dinheiro

"A posse de dinheiro cria a obrigação de o investir bem, de criar emprego. Eu sinto-me um feitor, um curador desse dinheiro. Além disso, não sendo parvo, eu tenho a noção clara de que esse dinheiro não vai comigo para mais sítio nenhum e que, às vezes, até complica, criando problemas de sucessão"

 

"Eu não sou nada sovina. Não ponho qualquer limitação a gastar dinheiro numa coisa que, do meu ponto de vista, faça sentido e seja necessária"

 

"Compro os sapatos há 30 anos no mesmo sítio, pelo telefone, e cinco ou seis pares de cada vez para não perder muito tempo"

Expresso, 1999

 

"Nunca me senti pobre e também não me sinto nada rico. São riquezas contabilísticas porque eu vivo do meu salário, não preciso de mais do que isso"

Diário Económico, 2005

 

"Quem não tem dinheiro não tem vícios"

Público, 2008

 

"A independência económica e financeira é fundamental para as pessoas não terem constrangimentos exteriores, de forma a evitarem dizer o que deve ser dito"

Expresso, 2008

 

A liderança

"A função natural de um líder é criar líderes que, pela lei da vida, devem ser potencialmente melhores"

Jornal de Negócios, 2009

 

Trabalho

"Não acredito no futuro sem trabalho"

Visão, 1999

 

"Os salários só podem aumentar quando um trabalhador português fizer igual a um alemão ou inglês"

TSF, 2014

 

"Ninguém deve ficar no primeiro emprego e todos devem ter preocupações estratégicas quanto ao empregador, mais de longo prazo e menos de curto prazo"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

Os hipermercados

"Um hipermercado tem de ser uma máquina eficiente e barata. No fundo, um grande barracão bem decorado, que seja eficiente e tenha bons acessos"

Marketing e Publicidade

 

A polémica das sete OPV´s

"Chegado aos 50 anos, com 25 anos de licenciatura, 25 anos de empresário e 25 anos de casado (…) estou imensamente satisfeito daquilo que fiz juntamente com excecionais colaboradores. (…) Mas, apesar de muita resistência, começo a ficar cansado dos ataques invejosos, da mediocridade da crítica, de alguma inoperância do Governo"

Carta ao socialista João Cravinho, 24/01/88

 

As investidas na banca

"O investimento na banca foi oportunista. Depois, fui castigado por mais valias"

 

"Eu jamais seria testa de ferro de ninguém, muito menos dos espanhóis"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

O 25 de abril

"A generalidade dos empresários entrou em pânico com a revolução. Mas a minha atitude era descontraída (…) não era materialmente dono de nada (…) e por outro lado tinha outra perceção intelectual das relações laborais que Harvard me tinha dado"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001

 

A Europa

"Não aceito a pátria europeia. Aceito, sim, a organização política e económica da Europa. Penso que se pode integrar quase tudo, mas não as culturas, nem os comportamentos sociais"

Expresso, 1991

 

"Sair do Euro seria regressar à idade média"

RTP, 2011

 

A política

"Há uma questão de natureza pessoal que me impede de ir para a política. É que eu gosto de decidir depressa e poderia ter problemas de excesso de velocidade"

Expresso, 1999

 

"Eu era anti-salazarista, mas nunca fui perseguido porque não era um ativo revolucionário"

Diário Económico, 2005

 

"Os governantes deviam de gostar de ser contrariados e não gostam"

Expresso, 06/12/2008

 

"A maior parte dos competentes não tem currículo partidário"

RTP, 2011

 

Segurança social

"Ninguém que tenha a cabeça em cima dos ombros discute a necessidade de cuidados de saúde mínimos e alguma segurança social (…) Mas é necessário encontrar soluções alternativas, porque as soluções europeias ao nível da segurança social vão entrar na bancarrota"

Público, 18/04/99

 

Os políticos

"Marques Mendes nem para porteiro da Sonae servia, porque demorava demasiado tempo a explicar como se entra nas instalações"

Expresso, 1999

 

"Este governo (António Guterres), tal como alguns medicamentos, passou de prazo"

Rádio Renascença, 2000

 

"Cavaco Silva é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim, com vermelho direto"

Visão, 2010

 

"Não há exemplo de alguém ter feito tanta coisa mal em tão pouco tempo. (José Sócrates) Vai para o Guiness"

Jornal de Negócios, 2011

 

“ (Passos Coelho) fala muito (…). Não consigo ver, neste momento, a não ser Berlusconi, alguém que precise tanto de uma rolha"

 

"O Sá Carneiro correspondia a muitos dos valores em que me revejo. Era corajoso, enfrentava as vicissitudes de um cargo público"

Público, Março 2013

 

Função Pública

"Tenho muito respeito pelos funcionários públicos, mas sei que há talvez uns 200 mil a mais"

Conferência no Clube de Negócios, 1989

 

"O Ministério da Educação sempre foi um monstro dentro de outro monstro que é a administração pública"

Expresso, 2008

 

Sobre a vida

"Eu tenho fé. Acredito num Deus criador (…) creio na existência de algo sobrenatural. Já quanto à fé religiosa, sou mais cauteloso. (…). Culturalmente sou católico".

 

"Pode enriquecer-se de forma honesta e não tenho quaisquer remorsos"

 

"Sou um pouco duro de ouvido, mas gosto de música clássica, que é o meu calmante. Gosto de música popular brasileira e de fados da Amália, do Marceneiro e de alguns do Carlos do Carmo. E de ouvir a Grândola Vila Morena"

 

"Nas decisões em que é necessário assumir mais riscos uso a emoção"

 

"A intuição, uma certa leitura que faço do rosto das pessoas, os meus sentimentos mais íntimos são fundamentais para o que decido e para o modo como atuo"

 

"Passo a vida a correr e a ultrapassar metas. Estou sempre ocupado com coisas novas, diferentes"

Visão, 2001

 

"Levanto-me entre as 5h15 e as 6h30. Leio o jornal, faço o café. E às 7h30 saio de casa. Vou ao health clube e faço 100 minutos de exercício físico"

Público, março de 2013

 

"Deixei-me sempre guiar pelos valores trazidos do berço"

 

"A minha vida é uma história contra o desperdício"

 

"Acredito na amizade. Mas é difícil seriar os amigos. Sei que sou um indivíduo difícil. De vez em quando dizem-mo na cara. Se perdesse um verdadeiro amigo, seria para mim um verdadeiro desastre"

 

"O grande teste para todos os seres humanos será indubitavelmente controlar o processo, para que a própria essência do ser humano não seja destruída, devorada, numa evolução autodestruidora causada pela convergência do poder da ciência com os excessos do liberalismo e com o esbatimento dos valores da nossa civilização"

 

"Afinal, o mais importante (…) nesta curta passagem pela Terra, é procurar manter o estar e o ser em harmonia no máximo de tempo possível ao longo da vida. E quando tivermos de partir, desejar serenamente deixar de estar antes de deixar de ser. Isto é, ver lucidamente a última etapa da vida"

Biografia “Belmiro - História de uma vida”, 2001


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