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Alfaiate e costureira mantêm viva a tradição do burel na Serra da Estrela
Revista PORT.COM • 27-Nov-2016
Alfaiate e costureira mantêm viva a tradição do burel na Serra da Estrela



Um alfaiate e uma costureira de Seia, no distrito da Guarda, são dois dos últimos resistentes que trabalham o burel, um tecido artesanal feito de lã, típico da região da Serra da Estrela e associado ao traje dos pastores.

Na zona que mais tem utilizado o burel ao longo dos anos, a tradição mantém-se por intermédio dos dois artesãos que continuam a fazer peças típicas e a apostar em novas criações.

António Garcia, de 69 anos, que exerce a profissão de alfaiate desde os 13 anos, trabalha diariamente o burel na sua alfaiataria, na aldeia de Folhadosa, no concelho de Seia.

O artesão faz casacos típicos e capas dos pastores, capas alentejanas e de senhora, que depois vende em feiras de artesanato.

O alfaiate, que tem feito muitas peças de vestuário em burel para os ranchos folclóricos da região da Serra da Estrela, orgulha-se de já ter vendido capas e trajes de pastores para o Luxemburgo.

Já confecionou “mais de 100” casacos típicos de pastores e garante que enquanto houver burel e puder trabalhar, não desiste da arte: “Sempre gostei de trabalhar nestas coisas e eu quero continuar”.

A costureira e modista Alice Pinto, de 48 anos, com uma oficina de costura na cidade de Seia, apenas confeciona as peças em burel por encomenda.

“Vou pesquisando, vou vendo alguns modelos antigos e depois aperfeiçoo-os ao estilo moderno e ao que podemos vestir no dia-a-dia”, disse a artesã, lembrando que o burel tradicional é castanho, mas as fábricas já colocam no mercado outras cores (preto, vermelho, cinzento, azul, verde, etc.).

Segundo Alice Pinto, o tecido tradicional de burel deixou de estar associado unicamente aos pastores e “agora é moda, devido às inúmeras cores” e também pela resistência (como a lã é prensada fica impermeável à chuva) e aspeto final.

A costureira, que se mostra orgulhosa por manter a confeção de peças de vestuário e acessórios de moda em burel, gostava de ter “mais encomendas”.

“Sinto que faço parte de um projeto que não morreu e vamos ver se ele continua ainda vivo e com mais diversificação”, desejou.


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