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Portugal «precisa desesperadamente» de imigrantes para combater a falta de mão de obra
Revista PORT.COM • 08-Nov-2018
Portugal «precisa desesperadamente» de imigrantes para combater a falta de mão de obra



O Observatório da Emigração defende que Portugal «precisa desesperadamente» de imigrantes e deve facilitar a entrada de estrangeiros.

Segundo o coordenador do Observatório da Emigração, Rui Pena Pires, Portugal «precisa desesperadamente» de imigrantes e, para resolver o problema de falta de mão de obra, deve facilitar a entrada de estrangeiros e fazer campanhas de recrutamento no exterior.

Para o também sociólogo, o problema demográfico que Portugal e a Europa enfrentam de falta de mão de obra em alguns setores só se resolve com mais imigração. Um caminho que tem de ser feito rapidamente sob pena de se não o fizerem estarem a «caminhar para o suicídio», alertou.

Para atrair imigrantes, o país precisa, segundo o professor e sociólogo, de colocar menos obstáculos à entrada de estrangeiros, mas também de «ter políticas ativas de recrutamento lá fora». Considerando os problemas atuais que os países enfrentam, de movimentos nacionalistas face a grandes fluxos de imigração, Pena Pires aponta exemplos positivos do Canadá e da Austrália. «Têm um peso de 30% da imigração com grande estabilidade e viáveis em todos os aspetos. São países prósperos e pacíficos».

Para Vítor Antunes, diretor executivo da Manpower, responsável pelo recrutamento de trabalho temporário, e uma das mais antigas a operar no mercado português nesta área, Portugal precisa «de mão de obra, em geral, e de talentos». Para combater o problema tem de o fazer, «não só pela via do regresso de alguns emigrantes, mas também pela via da imigração», considerou.

Os perfis especializados, ou seja, eletricistas, soldadores, mecânicos, e os técnicos, como motoristas, engenheiros, informáticos, professores, pessoas para as áreas de apoio ao cliente, advogados e investigadores, gestores de projeto e alguns administrativos, são as classes profissionais com mais escassez de recursos humanos, relatou.

O empresário António Mota, dono da Mota-Engil, empresa com negócios em vários países no setor da construção, um dos afetados pela falta de mão de obra, prevê que se o desenvolvimento em Portugal continuar a verificar-se, o país vai «precisar de mão de obra semiespecializada e especializada». «Portugal precisa de muita mão de obra e precisa que regressem os seus quadros que emigraram», defendeu o empresário. Para o setor da construção, «falta pessoal e está-se a importar mão de obra de várias origens», afirmou.

Para Rui Pena Pires, «Portugal tem de ter outra política de entradas. Porque o país (…) precisa de imigração regular». «Para isso temos de colocar menos obstáculos aos processos de entradas, mas também de tomar a iniciativa de fazer recrutamento em vários países», considerou. «Os imigrantes do espaço lusófono têm sempre uma vantagem que é a da língua, que facilita em muito a integração», mas há outras origens onde Portugal hoje pode recrutar, concluiu o sociólogo.


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