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Portugal 2019: Que impactos e mudanças podem esperar os portugueses
Revista PORT.COM • 07-Jan-2019
Portugal 2019: Que impactos e mudanças podem esperar os portugueses



Que mudanças podem esperar os portugueses e, em particular, as nossas comunidades no estrangeiro do ano que agora entra? Que setores vão ser mais impactados? O que se advinha no domínio da nossa cooperação e no espaço da lusofonia? As opiniões de José Luís Carneiro, Carlos Amorim, João Paulo Rebelo, Vítor Ramalho, Rui Paiva, Luís Faro Ramos, Ricardo Castanheira, João Gabriel Silva, Isabelle Coelho Marques e Vladimiro Silva.

Para já, no plano interno, o ano vai ser dominado pelos atos eleitorais, não só para o Parlamento Europeu, já em maio, mas sobretudo pelas eleições legislativas que vão ocorrer no dia 6 de outubro. E aqui levanta-se uma questão que pode ser crítica e que respeita a todos os portugueses residentes no estrangeiro: é assumido que o atual Governo fez uma aposta clara no reforço dos direitos políticos dos emigrantes e aprovou um quadro legislativo que vai, desde logo, aumentar o número destes inscritos nos cadernos eleitorais de um universo de cerca de 300 mil para mais de 1,3 milhões de eleitores. Mas os riscos envolvidos também são grandes pois se o aumento do número de votantes não for, de facto, expressivo, muitos temem que “as vozes políticas” que defendem a não participação dos emigrantes na vida política nacional voltem a ganhar força.

Também na política nacional o que se espera é um ano de grande contestação social, transversal a muitos setores profissionais, desde os enfermeiros, aos professores, aos magistrados, ficando a expetativa de que solução governativa sairá das eleições de outubro, mais ainda com uma nova força política em confronto, a Aliança de Santana Lopes.

No domínio económico as perspetivas também não são sorridentes. Todos os analistas são unânimes em afirmar que vamos conhecer um abrandamento económico a nível mundial e fatores como as tensões comerciais entre os EUA, a China e a Europa ou o desfecho da saída do Reino Unido da EU são potenciadores de grande instabilidade nos mercados financeiros.

Mesmo o enquadramento macroeconómico previsto pelo Governo aponta para um crescimento de 2.2% (inferior a 2017 e 2018) antecipando um abrandamento generalizado da atividade económica e que poderá ser superior se continuarmos a verificar uma contração do investimento e do consumo privado.

E destaque-se que o próprio Brexit, independentemente da forma como se concretizar, terá também forte impacto na expressiva comunidade portuguesa residente sobretudo na Inglaterra.

Mais ainda numa Europa onde na esfera política teremos preocupações de sobra, que estarão seguramente sobre a mesa nos próximos meses, como a tensão crescente decorrente dos fluxos migratórios e a tendência confirmada de afirmação de projetos de governo populistas, nacionalistas e radicais.

A evolução da situação política e económica na Venezuela será também uma questão que irá dominar o nosso próximo ano, particularmente pelo impacto na comunidade portuguesa residente naquele país.

Já nos domínios da cooperação há uma evidência que ressalta à vista: Os desafios que se colocam na área da cooperação não são passíveis de serem respondidos sem que os enquadremos no mundo global em que vivemos. E atenda-se ao que refere Vítor Ramalho, secretário-geral da UCCLA quando afirma que «a premissa com que partimos é simples. Portugal é hoje um país muito mais dependente do que era antes, por não ter sabido ou desejado salvaguardar instrumentos mínimos de afirmação da sua soberania e não apenas nas funções do Estado».

E sem esquecer a continuada e premente necessidade de continuar a afirmar a Língua e Cultura portuguesas no mundo, sob risco de se perder o valor deste capital na afirmação política económica e diplomática que Portugal já detém hoje no plano internacional. E aqui, como bem alerta o Reitor da Universidade de Coimbra, muita responsabilidade caberá também a estas instituições de ensino.

Neste contexto, outro vetor, que embora possa numa primeira análise parecer colateral, deve merecer uma atenção muito focada pelas suas múltiplas implicações, o da consolidação das relações entre Portugal e a China – como ficou bem evidente na recente visita do presidente chinês ao nosso país – e que não se esgotam no mero plano económico. Portugal tem de encontrar um “ponto de equilíbrio” entre a sua vocação atlântica (na relação bilateral com os Estados Unidos e o Reino Unido), o seu papel na União Europeia, os benefícios que poderá retirar da sua aproximação a Pequim e o expansionismo económico chinês que é visto como uma séria ameaça pela generalidade dos países ocidentais.

Área que assumirá particular relevância durante o ano de 2019 será a das questões ambientais. Sem prejuízo de tudo o mais, o país enfrenta um problema premente que poderá no médio prazo ter consequências catastróficas, a escassez de água e a consequente desertificação do território. É importante olhar com atenção para as palavras que o secretário de Estado do Ambiente deixou neste destaque.

Por último, mas não menos preocupante, como refere Rui Paiva, CEO da WeDo Technologies, neste domínio a Internet of Things vai ser uma das maiores ameaças que enfrentamos.

E ameaça poderá ser também a caixa de pandora que um médico chinês abriu na área da manipulação genética. Como refere Vladimiro Silva, a investigação do genoma humano é legítima e faz todo o sentido, mas tem de ser feita dentro dos limites do que é a ética e do que é o respeito pela dignidade humana.

Na verdade, uma pergunta fica em aberto: será 2019 mais um ano, embora com as suas vicissitudes, deste ciclo ainda vigente que caracterizou esta última década ou vamos assistir e em muitos domínios a uma rutura estrutural, com consequências imprevisíveis, para o bem ou para o mal?

Leia todas as opiniões na edição de janeiro da Revista PORT.COM.


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