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Milhares de portugueses sairam à rua por melhores condições laborais
Revista PORT.COM • 01-Mai-2019
Milhares de portugueses sairam à rua por melhores condições laborais



Centenas de milhares de trabalhadores e sindicalistas saíram hoje à rua, em todo o mundo, no âmbito das celebrações do 1.º de Maio, para reivindicar melhores condições laborais, originando, em muitos casos, confrontos com a polícia e várias detenções.

Em Lisboa, milhares de pessoas participaram hoje na manifestação que assinala o Dia do Trabalhador, numa iniciativa que junta os vários sindicatos afetos à CGTP.

O secretário-geral da central sindical CGTP, Arménio Carlos, defendeu um aumento do salário mínimo nacional para 850 euros, manifestando disponibilidade imediata para discutir com o Governo esta proposta.

Arménio Carlos adiantou que a proposta de aumento do salário mínimo faz parte de um conjunto de cinco eixos centrais reivindicativos que a CGTP vai apresentar em breve a todos os partidos com assento parlamentar.

A manifestação saiu do Martim Moniz em direção à Alameda Afonso Henriques, liderada por um cabeçudo a imitar o primeiro-ministro, António Costa, sendo também visível várias bandeiras de sindicatos e faixas com mensagem contra a banca, a favor da luta dos trabalhadores e por melhores condições de trabalho.

A "luta continua", "contra a exploração", "Maio está na rua" e "CGTP unidade sindical" foram alguns das palavras de ordem proferidas pelas milhares de pessoas que participam na manifestação do 1.º de Maio em Lisboa.

 

1.º de maio no mundo

Em Paris, o protesto, que juntou o movimento dos "coletes amarelos" às forças sindicais, arrancou com confrontos com a polícia e a utilização de gás lacrimogéneo.

Mesmo antes do início da manifestação, grupos de indivíduos vestidos de negro, os chamados 'black blocs', e de cara tapada iniciaram confrontos com a polícia atirando garrafas de vidro e latas de cerveja contra as forças de ordem que, por sua vez, carregaram sobre os manifestantes.

Já na cidade italiana de Turim registaram-se três feridos, dois manifestantes e um polícia, na sequência da intervenção das forças da autoridade para bloquear um protesto contra a construção de uma linha férrea de alta velocidade entre França e Itália.

Na Rússia foram já contabilizadas mais de 100 detenções nas celebrações do 1.º de Maio, 68 das quais em S. Petersburgo num protesto contra o Presidente Vladimir Putin.

As autoridades turcas, por seu turno, também prenderam alguns manifestantes que tentavam marchar em direção à praça central de Istambul, interdita pela polícia por razões de segurança, enquanto na Alemanha a maior confederação sindical apelou hoje aos eleitores que participem nas eleições para o Parlamento Europeu e que rejeitem o nacionalismo e o populismo de direita.

Na Suécia, manifestantes atiraram projéteis contra a polícia, que tentava controlar um protesto em Gotemburgo e na Dinamarca os protestos ficaram também marcados por frases de ordem contra a intervenção das autoridades, tendo sido registados mais de dez detidos nestes dois países.

No Sri Lanka, os principais partidos políticos cancelaram os tradicionais protestos devido a preocupações de segurança, após os recentes atentados que mataram mais de 250 pessoas e na Coreia do Sul os manifestantes exigiram iguais condições laborais para os trabalhadores temporários.

Por sua vez, centenas de pessoas reuniram-se no centro de Atenas em três marchas separadas, organizadas por sindicatos rivais e grupos de esquerda e, em Espanha, os trabalhadores manifestaram-se nas principais cidades, poucos dias antes do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, começar a negociar com os partidos a formação do Governo.

Em Bangladesh centenas de trabalhadores do setor do vestuário e membros de organizações trabalhistas reuniram-se na capital, Daca, para exigir melhores condições de trabalho e, nas Filipinas, milhares de funcionários marcharam em direção ao palácio presidencial de Malacanang, em Manila, para exigir ao Governo, entre outros pontos, o aumento do salário mínimo, enquanto em Hong Kong, trabalhadores estrangeiros juntaram-se às celebrações do 1.ª de Maio, apelando a iguais oportunidades e condições de trabalho.

Por último, em Jacarta milhares de trabalhadores com salários baixos saíram à rua, concentrando-se nos principais monumentos da cidade, enquanto na Guiné Bissau as duas centrais sindicais - a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes - exigiram ao Governo o aumento do salário mínimo dos trabalhadores da Função Pública para 153 euros, ameaçando o executivo com uma onda de greves a partir da próxima semana.


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