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«Que a República entenda que não somos o ‘inimigo público’»
JM Madeira • 27-Jul-2019
«Que a República entenda que não somos o ‘inimigo público’»



Pedro Calado diz que, em 40 anos, com acesso a fundos comunitários, com a ajuda dos emigrantes, conseguiu-se transformar a Madeira naquilo que ela é hoje.

«Estamos a criar uma região desenvolvida, capaz de atrair investimento estrangeiro, investimento dos nossos conterrâneos, estamos a conseguir atrair investimentos, estamos a reduzir a nossa dívida pública. A comunicação social agoirenta nunca se refere à redução da dívida pública», afirmou o vice-presidente do Governo Regional, o qual considerou que a Madeira necessita do investimento público. Este foi retomado.

Foi reduzida a taxa de desemprego para 7 por cento. «Estamos a desenvolver a Região em termos tecnológicos. E o futuro da Região passa muito pelas tecnologias», disse, apontando o exemplo do cabo submarino que vai ligar a Madeira a todo o Mundo. Pedro Calado lembrou que grande parte dos jovens da UMa que se iniciam na área das tecnologias tem trabalho garantido.

O vice-presidente do Governo Regional adiantou que está a ser feito um trabalho no sentido de dotar a Região de um sistema fiscal próprio. «Não queremos ser nem melhores, nem piores. Somos diferentes. E o facto não significa que queiramos estar acima de alguém. Mas temos especificidades. Espero que a República entenda, de uma vez por todas, que não somos o inimigo público», adiantou o governante madeirense. Pedro Calado está convencido de que, de mãos dadas, «podemos fazer mais e melhor».

Integraram esta mesa redonda, além do o vice-presidente do Governo Regional, os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais e da Economia, António Mendonça Mendes e João Neves, respetivamente, o presidente da ACIF, Jorge Veiga França, e ainda o presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, Filipe Teixeira. António Mendes defendeu uma fiscalidade mais global num mundo em que a economia é, também ela, mais globalizada. Já o secretário de Estado da Economia lembrou que Portugal tem, globalmente, uma taxa de investimento que é o dobro da média europeia, o que revela o dinamismo dos nossos empresários.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria (ACIF), por seu lado, afirmou que enquanto entender que os interesses dos empresários não estão a ser defendidos, não parará de dar a sua opinião. Jorge Veiga França foi o penúltimo dos oradores na primeira mesa redonda. O último foi Filipe Teixeira, da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira. Este falou na capacidade de resposta às empresas investidoras, a qual é mais eficiente que há uns anos.

 

Carga fiscal e burocracia são desafios ao investimento

Portugal e a Madeira, em específico, «estão no bom caminho», mas a carga fiscal e os incentivos às empresas são alguns dos aspetos a melhorar, consideraram os empresários que fizeram parte de uma mesa redonda, no II Encontro Intercalar de Investidores da Diáspora, moderada por Cesário Camacho, jornalista da RTP-Madeira.

Existe potencial para o investimento na Madeira por parte das comunidades portuguesas, consideraram Fátima Lopes, José Silva, Aleixo Vieira, Egídio Cardoso e Joseph Vieira, empresários madeirenses que trabalham no estrangeiro. O setor imobiliário, em especial, foi destacado, com Joseph Vieira, radicado no Canadá, a frisar que Portugal é um destino muito procurado, tanto para férias como para investimento.

Por outro lado, uma fiscalidade mais atrativa para os investidores e menos burocracia foram as principais reivindicações, como foi também a promoção e as ligações aéreas.

«A Madeira tem tudo, mas faltam mais aviões», disse a estilista Fátima Lopes. «Temos hotéis, temos ótimas infraestruturas, temos todas as condições, mas o que falta à Madeira são mais voos».

Também José Silva, empresário da área da restauração em Inglaterra, considerou que mais ligações aéreas seriam positivas, e teceu duras críticas à TAP. «Não se admite que a TAP não viaje diretamente de Londres para a Madeira», disse. «É uma falta de respeito pelos madeirenses que lá vivem».

De resto, os empresários foram unânimes ao frisar que a imagem dos portugueses no estrangeiro melhorou significativamente nas últimas décadas.

«Todos os dias, nós, no estrangeiro, pensamos na Madeira», frisou ainda Egídio Cardoso, empresário da hotelaria na África do Sul. «Queremos que a nossa terra seja a número um em toda a Europa e em todo o mundo».


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