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«A CIP já apresentou as suas propostas, dirigidas aos decisores que exercerão o poder político nos próximos quatro anos»
Revista PORT.COM • 02-Nov-2019
«A CIP já apresentou as suas propostas, dirigidas aos decisores que exercerão o poder político nos próximos quatro anos»



É tido como um dos protagonistas mais respeitados na esfera empresarial no nosso país e preparase para renovar o seu mandato à frente da Confederação Empresarial de Portugal. E as palavras do Presidente da República, no encerramento do Congresso CIP 2019, não podiam ter constituído maior reconhecimento quando apelou à sua continuidade em prol do trabalho que tem sido feito na defesa a iniciativa privada, na construção de pontes entre a modernidade e a tradição e no serviço a Portugal. Em entrevista à PORT.COM, António Saraiva traçou um quadro geral sobre o “Portugal empresarial” e o que é necessário mudar com os olhos postos no futuro.

Como caraterizaria hoje o “Portugal empresarial”?

As empresas portuguesas, na sua grande diversidade, têm uma característica comum, mais uma vez comprovada no atual ciclo económico: resiliência. Foi essa resiliência que permitiu que setores que muitos condenavam ao fracasso se soubessem reinventar e prosperar. Foi também essa característica que permitiu que exportando, criando emprego, investindo, as empresas tornassem possível a recuperação da crise.

Repare que a última crise teve uma gravidade muito superior ao que era inicialmente previsto, mas a recuperação foi também mais rápida e dinâmica do que era esperado, sobretudo em duas variáveis fundamentais: as exportações, que aumentaram em muito o seu peso na economia, e a surpreendente capacidade de reabsorção do desemprego que as empresas revelaram. Este desempenho foi, indubitavelmente, devido ao valor do Portugal empresarial.

Para além de resiliência, as empresas portuguesas têm demonstrado esforço, criatividade, talento, ambição. No entanto, todo este potencial está limitado por um enquadramento pouco favorável ao caminho que têm de percorrer para colmatar o diferencial de produtividade que ainda as separa das suas concorrentes dos países mais prósperos.

 

O que é preciso mudar?

É preciso combater os fatores de bloqueio desse potencial, identificados há anos, e que os sucessivos governos não têm conseguido resolver: um regime fiscal complexo, opaco, e instável; um sistema financeiro que não cumpre cabalmente a sua função de intermediação entre poupança e investimento; a justiça lenta e ineficaz; custos de contexto alimentados por uma burocracia asfixiante; a cultura de inovação pouco incentivada, o mercado de trabalho ainda inadaptado às exigências do dia presente.

Para isso, ainda antes das eleições, a CIP teve já oportunidade de definir e apresentar as suas propostas, dirigidas aos decisores que exercerão o poder político nos próximos quatro anos. Essas propostas foram reafirmadas no Congresso que reunimos no passado dia 22 de outubro.

Destacaria a este respeito: A necessidade de pôr em marcha um exigente processo de reconversão da força de trabalho para enfrentar o desafio da transformação digital e tecnológica e assegurar a sua permanente adequação às necessidades do mercado do trabalho. No domínio da fiscalidade, a prioridade vai para o estímulo ao investimento, e, em especial, à capacidade de autofinanciamento do mesmo. Na linha dos trabalhos que vimos desenvolvendo há muitos anos, defendemos medidas tendentes à capitalização e financiamento das empresas portuguesas. A promoção de um ambiente de negócios atrativo e estimulante é outro vetor essencial à competitividade, permitindo às empresas concentrarem os seus recursos na criação de valor e competirem em mercados cada vez mais exigentes.

Neste quadro, além da necessidade de diminuir custos administrativos e demais custos de contexto, surge como prioritária a promoção de uma justiça económica célere e eficaz. Com as medidas que apresentamos no capítulo dedicado à sustentabilidade, procuramos ultrapassar a dicotomia entre ambiente e economia, com empresas ao mesmo tempo mais competitivas e ambientalmente mais responsáveis e com uma forte dinâmica económica sustentada por novas tendências de procura.

 

Que conselhos deixa aos empresários, nomeadamente aqueles que são investidores oriundos da diáspora e que encontram sempre muitas dificuldades para investir no seu próprio país?

O conselho que deixo é simples: não desistam e mantenham sempre o entusiasmo inicial, contra toda a adversidade. O sucesso empresarial exige, sobretudo em Portugal, persistência para superar as dificuldades que referiu.

 

Leia o dossier na íntegra na edição de novembro da Revista PORT.COM.


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