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Fileira da Moda representa 11,5% das exportações portuguesas
Revista PORT.COM • 29-Jan-2020
Fileira da Moda representa 11,5% das exportações portuguesas



As atividades dedicadas à Indústria da Moda geraram um volume de negócios de 15 mil milhões de euros em 2018, com uma variação negativa de 3% face ao período homólogo. Apesar das insolvências terem crescido em 2019, as atividades ligadas ao setor continuam a atrair investimento.

A indústria nacional têxtil, do vestuário e do calçado gerou 15 mil milhões de euros em volume de negócios em 2018, menos 3% que no período homólogo, e representou 11,5% do total de exportações do país em valor. Embora as insolvências tenham aumentado mais de 35% em 2019, o risco de incumprimento do setor é inferior à média de todas as outras atividades económicas.

Estes dados constam do estudo setorial elaborado pela Iberinform, através da sua plataforma online de recolha e análise de informação empresarial Insight View, que apresenta a evolução do risco financeiro e dos determinantes estratégicos das empresas da fileira da moda entre 2018 e 2019.  

Constituída por 19.312 empresas, das quais 64% são microempresas com uma média de 10 empregados, a fileira da moda nacional apresenta um score de 4,4 que traduz um Risco Médio de incumprimento, inferior à média de todas as atividades económicas nacionais. O score é um modelo de avaliação de risco que mede a probabilidade de incumprimento de uma empresa a 12 meses, avaliando o risco de 1 a 10 numa escala de maior ou menor risco respetivamente. As empresas classificadas com Risco Médio representam 39% do total do setor têxtil, vestuário e calçado. O modelo atribui Risco Elevado a 5.644 empresas (29% do total), enquanto 5.322 (28%) apresentam Risco Baixo.

A maior percentagem de empresas da fileira inscreve-se no setor do comércio a retalho de vestuário e estabelecimentos especializados (27% do total), com 5.150 empresas que geraram um volume de negócios de mais de 2,4 milhões de euros. Seguem-se a indústria do vestuário que representa 24% do total, mas lidera em volume de negócios com mais de 3,7 milhões de euros, e a indústria do calçado que congrega 2.158 empresas (11,2%) geradoras de um volume de negócios superior a 2,3 milhões de euros. O setor da fabricação de têxteis representa 10,7% do total com 2.078 empresas que são responsáveis por um volume de negócios superior a 3,5 milhões de euros. 

Todo o território nacional está coberto por entidades que se dedicam a este setor, mas os distritos do Porto e de Braga são aqueles que apresentam maior número de sedes de empresas, 5.755 (30%) e 5.348 (28%) respetivamente. Por volume de negócios, destacam-se os distritos de Angra do Heroísmo com 7,9 milhões de euros, Braga (mais de 5,5 milhões de euros), Porto (4,6 milhões) e Lisboa (2,4 milhões). 

Apesar da maioria das empresas (23%) ter entre dois e cinco anos, a distribuição pelos restantes escalões de antiguidade é bastante proporcional. De notar que 18% das empresas já operam no mercado há mais de 25 anos, o que traduz a maturidade do setor, enquanto 13% foram constituídas há menos de um ano, fator que traduz o seu potencial de crescimento.

O grau de compromisso financeiro do setor é bom, tendo alcançado mais de 40% de autonomia financeira para as suas atividades em 2018 diminuindo, por isso, a sua dependência relativamente a capital alheio. Embora as empresas não cubram todas as suas dívidas com capitais próprios, apresentam um rácio de solvabilidade de 67,4%, valor ligeiramente acima de 2017, mas cinco pontos percentuais acima dos valores de 2016. 

Durante os últimos três anos, os prazos médios de recebimento (67 dias) foram sempre e gradualmente inferiores aos pagamentos a fornecedores e empregados (81 dias) o que é favorável em termos de caixa gerada pelas operações. 

Em 2019 houve mais 35% de empresas a entrar em insolvência (730) face a 2018. A atividade com maior número de insolvências diz respeito à confeção de outro vestuário exterior em série. No mesmo período verificou-se um aumento de 3% na constituição de novas empresas (1.390 empresas), dado que indicia algum interesse em investir no setor. O comércio a retalho de vestuário para adultos em estabelecimento especializado foi a atividade que registou o maior número de constituições no ano transato.


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