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Vozes portuguesas desfilaram contra Marine Le Pen em Paris
Revista PORT.COM • 02-Mai-2017
Vozes portuguesas desfilaram contra Marine Le Pen em Paris



A segunda volta das presidenciais em França é no próximo domingo e vai opor Marine Le Pen, da Frente Nacional, ao candidato centrista Emmanuel Macron.

Entre milhares de pessoas, vários portugueses desfilaram, ontem à tarde, na manifestação do 1.º de Maio, em Paris, tendo-se associado a um protesto contra Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita à segunda volta das presidenciais em França.

O grupo de portugueses e lusodescendentes juntou-se aos que protestavam "Le Pen Non", numa marcha que juntou vários sindicatos e diferentes mensagens, incluindo apoiantes de "Ni Le Pen, Ni Macron" ("Nem Le Pen, Nem Macron").

Com uma folha amarela, onde se lia "Le Pen Non", colada no casaco, Julien dos Santos, 29 anos, autarca em Gonnesse, arredores de Paris, disse que quis participar na marcha devido à situação da França, "muito complicada com a possibilidade de ter Marine Le Pen como Presidente da República".

"A Marine Le Pen quer suprimir a dupla nacionalidade, que é a riqueza dos franceses. Todos temos esta dupla origem, que faz a riqueza, a abertura de espírito da França, terra de acolhimento. Só por isso devíamos estar todos aqui. Tenho orgulho de ser português tanto quanto sou francês. Um folheto dela diz que devemos escolher num prazo razoável uma ou outra das nossas nacionalidades. Não quero viver isso", afirmou à agência Lusa.

Valérie do Carmo foi à manifestação "para defender os valores da República francesa", nomeadamente "a liberdade, igualdade e fraternidade entre as diferentes nacionalidades que existem em França", porque gostava que "as filhas tivessem a oportunidade de viver num país de igualdade".

Ainda que tenha votado no candidato socialista Benoît Hamon na primeira volta das presidenciais, a 23 de abril, a diretora da Academia do Fado em Paris disse que vai votar Emmanuel Macron no próximo domingo, porque "é sempre melhor que Marine Le Pen", considerando que há "o risco" de a candidata da extrema-direita ser eleita, nomeadamente por causa da abstenção.

Já Catarina Alberto não pode votar em França, onde vive há quatro anos, quis participar na manifestação e convocar os amigos através das redes sociais porque se sente chocada com o facto de se "correr o risco de a Marine Le Pen ser eleita" e "o extremismo, mesmo que disfarçado, não deve ter lugar na sociedade francesa".

"Sou portuguesa e não voto. Estou aqui para fazer número, porque acho que é importante as pessoas verem pessoas na rua. A França é feita de muitas origens e de muitas nacionalidades. Eu, mesmo não votando, faço questão de estar aqui", indicou a portuguesa, que cobriu as costas com uma bandeira da União Europeia, que também "está em risco" porque a Marine Le Pen "é absolutamente anti-União Europeia".

O ator Jorge Tomé, que nasceu em França, também esteve na manifestação para mostrar que são "muitos a não querer esta proposta da extrema-direita", lamentando que em Portugal se fale muito nos "portugueses que votam Frente Nacional, que são poucos", e alertando que Marine Le Pen está a alterar o discurso para "ir buscar toda a gente".

Luísa Semedo, conselheira das comunidades portuguesas, vestiu uma t-shirt com a frase "immigrant and proud" e participou pela segunda vez num protesto anti-FN, porque "as pessoas ainda estão um bocado adormecidas, ainda acham que não é possível a Le Pen passar", acrescentando que "o objetivo não é só que ela não passe, é que tenha o resultado mais baixo possível".

Na véspera da inauguração do festival parisiense Chantiers d'Europe, em que Portugal é um dos países em destaque com a exposição "Revolução e democracia: A memória dos cravos", produzida pelo Museu do Aljube (Lisboa), Joana Gomes Cardoso, da Empresa de Gestão de Equipamentos e Atividades Culturais (EGEAC) de Lisboa, participou na marcha, até porque "o lugar do 25 de Abril e a defesa dos valores da democracia continuam a ser necessários, não só em Portugal, mas cá também".

Também Aida Tavares, diretora artística do São Luiz Teatro Municipal, que tem uma parceria com o festival Chantiers d'Europe, aproveitou para participar na manifestação, porque "é muito preocupante o que se vive neste momento na Europa e França", nomeadamente, "todo o discurso que tem Marine Le Pen em torno de questões que acho essenciais para a construção europeia".

 

Foto em destaque ©Reuters


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