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«Sr. Presidente, Portugal não é bem os Estados Unidos»
Revista PORT.COM • 28-Jun-2018
«Sr. Presidente, Portugal não é bem os Estados Unidos»



O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump, numa visita oficial que, disse, «atingiu os objetivos», com divergências expressas e uma conversa sobre Cristiano Ronaldo.

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido pelo Presidente dos Estados Unidos da América no exterior da Casa Branca, em Washington, e os dois prestaram declarações aos jornalistas na Sala Oval durante 15 minutos, antes de uma conversa a sós de cerca de 25 minutos, seguida de uma reunião bilateral alargada.

O chefe de Estado português diria depois que foi «um encontro que atingiu os objetivos pretendidos», que significou um «reconhecimento positivo e mesmo caloroso de uma relação de 242 anos e de uma comunidade poderosa» luso-americana de 1,4 milhões de pessoas, bem como «de relações bilaterais importantes no domínio da defesa e no domínio da energia».

Por sua vez, o Presidente norte-americano, Donald Trump, divulgou ao fim do dia a seguinte mensagem na rede social Twitter: «Hoje tive a grande honra de receber o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa de Portugal na Casa Branca».

Durante as declarações conjuntas na Sala Oval, Trump intercalou o seu discurso sobre as relações com Portugal com comentários sobre questões internas, em particular a notícia da jubilação de um juiz do Supremo Tribunal, e a certa altura elogiou a forma como tem decorrido o Campeonato do Mundo de Futebol de 2018, na Rússia: «O evento tem sido fantástico».

Isso serviu de pretexto para Marcelo Rebelo de Sousa falar de Cristiano Ronaldo, «o melhor jogador do mundo», e Donald Trump acabou a perguntar-lhe se pensa que o «Christian» irá concorrer a Presidente da República de Portugal como seu adversário.

«Tenho de lhe dizer que Portugal não é bem os Estados Unidos, é um pouco diferente», retorquiu o Presidente português.

Marcelo Rebelo de Sousa, por outro lado, mencionou a Trump a «visita de cortesia» que fez ao Presidente da Rússia, em Moscovo, na semana passada: «Ele pediu-me que lhe enviasse cumprimentos».

Logo nesta parte aberta da conversa, foram percetíveis divergências no que respeita à política comercial e à política de imigração, pelos gestos e expressões do chefe de Estado português, que assumiu ter tido algum cuidado com a sua linguagem corporal: «Até talvez tenha sido um pouco excessivo».

O chefe de Estado português abanou ligeiramente a cabeça, por exemplo, ao ouvir o seu homólogo considerar que as tarifas aduaneiras dos Estados Unidos sobre importações de aço e alumínio do México, do Canadá e da União Europeia «têm sido incríveis» para a economia norte-americana.

Com a comunicação social prestes a sair da sala, Marcelo Rebelo de Sousa virou-se para Trump e disse-lhe: «Vai encontrar-se com o presidente [da Comissão Europeia] Juncker, isso são boas notícias. São boas notícias».

O Presidente da República destacaria aos jornalistas portugueses essa chamada de atenção da sua parte como uma demonstração de que Portugal está «solidário com a União Europeia em que se integra e cujas posições partilha - que não são, em muitos pontos, é público e notório, as posições defendidas pelos Estados Unidos da América».

Marcelo Rebelo de Sousa também pareceu manifestar discordância quando o Presidente norte-americano defendeu a necessidade de «fronteiras fortes», e mais tarde confirmou que essa foi uma de muitas «posições divergentes» expressas no encontro.

Segundo o Presidente português, houve das duas partes «disponibilidade não apenas para falar, mas para ouvi", e as convergências e divergências foram exprimidas com o mesmo calor».

«Não houve nada, mas verdadeiramente nada de relevante naquilo que era convergente ou divergente que não tivesse sido tratado», realçou.

Sobre a imigração, adiantou: «Sempre que eu tenho oportunidade de explicar por que é que Portugal acolhe imigrantes, explico. E aproveito para fazer pedagogia, para explicar como é a realidade portuguesa».

A história das relações bilaterais foi lembrada por Marcelo Rebelo de Sousa na sua intervenção inicial, em que salientou que Portugal foi «o primeiro país neutral a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América, apesar de ter a Inglaterra como o mais antigo aliado».

O presente que ofereceu «simbolicamente» a Trump foi precisamente «um fac-simile do decreto real de D. Maria I a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América», contou o chefe de Estado, no fim desta visita oficial, que começou na terça-feira, com um encontro com a comunidade portuguesa.

Donald Trump disse que as relações bilaterais nunca foram tão boas, referiu-se a Marcelo Rebelo de Sousa como «o altamente respeitado Presidente de Portugal» e no final da reunião bilateral alargada - em que participou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos - acompanhou-o até à porta.

O Presidente português terminou o seu programa oficial com uma cerimónia de "Toast to America" - brinde à América - com vinho da Madeira, com o qual os «pais fundadores» dos Estados Unidos celebraram a assinatura da Declaração da Independência.


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