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Líder do movimento brasileiro dos Sem Teto invoca 'geringonça' portuguesa para apelar à unidade
Revista PORT.COM • 17-Dez-2018
Líder do movimento brasileiro dos Sem Teto invoca 'geringonça' portuguesa para apelar à unidade



O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) brasileiro, Guilherme Boulos, invocou a atual solução política portuguesa para defender a criação de uma «frente ampla de defesa da democracia» no seu país.

Numa uma sessão pública em Lisboa organizada pelo Bloco de Esquerda, Guilherme Boulos alertou para as intenções do futuro Presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, de «criminalizar movimentos sociais» como o que lidera e o dos Sem Terra e defendeu uma resposta unida.

«A experiência portuguesa ensina-nos que é possível manter a autonomia, respeitar a diversidade e ao mesmo tempo estarmos junto no fundamental para derrotar a direita e a extrema-direita (...) A nossa tarefa no Brasil é criar uma frente ampla de defesa da democracia e da liberdade dos nossos povos», afirmou.

Boulos sublinhou que, antes de ser eleito, Bolsonaro apontou como caminho para os opositores «a cadeia ou o exílio», mas garantiu que a terceira opção será o combate nas ruas, «num processo de resistência legítimo e democrático».

«Temos todas as razões para estar preocupados com o futuro da democracia brasileira», alertou.

Em declarações à agência Lusa, à margem da sessão, Guilherme Boulos explicou que o objetivo da sua visita a Lisboa e Porto (também esteve em Estrasburgo no Parlamento Europeu) é criar «uma rede de solidariedade» para com o povo brasileiro, que fique atenta à violação de direitos humanas e a ameaças à democracia a partir de 01 de janeiro, data da posse de Bolsonaro.

Questionado sobre se a vitória de Bolsonaro poderá prejudicar as relações do Brasil com Portugal e com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Guilherme Boulos disse acreditar que terá um impacto negativo.

«Bolsonaro já anunciou, assim como o seu ministro das Relações Exteriores, que a sua relação prioritária, eu diria de subordinação, será com os Estados Unidos, preterindo os próprios países latino-americanos, o Mercosul, a União Europeia, os países lusófonos», apontou.

Na opinião do ativista social, a presidência de Bolsonaro não irá dar prioridade a instrumentos multilaterais como a CPLP, o Mercosul ou mesmo o bloco de mercados emergentes, os Brics, que tem sido uma aposta do Brasil.

«Tememos também que as relações com Portugal não sejam tratadas de maneira adequada por esse governo», acrescentou.


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