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Centenas de milhares de portugueses no estrangeiro não conseguiram votar
Revista PORT.COM • 16-Out-2019
Centenas de milhares de portugueses no estrangeiro não conseguiram votar



Emigrantes pedem inquérito oficial.

Uma sondagem efetuada pelo movimento “Também somos os portugueses” nas redes sociais, em dezenas de países em todo o mundo, mostra que por cada emigrante português que votou na eleição para a Assembleia da República, houve outro que não o conseguiu fazer.

Na amostra realizada, apenas um terço dos emigrantes portugueses conseguiu votar sem problemas de maior. Um outro terço não chegou a receber o boletim do voto, e o outro terço teve o boletim de voto devolvido pelos correios. Nalguns casos os eleitores reenviaram o voto com sucesso, noutros o boletim tornou a ser devolvido.

Face a estes graves problemas, que impediram centenas de milhares de emigrantes portugueses de votar, o movimento “Também somos portugueses” e o “Comité Cívico Português do Reino Unido” exigem ao Ministério da Administração Interna e à Comissão Nacional de Eleições que seja feito um inquérito ao modo como decorreram estas eleições e que sejam feitas alterações para melhorar a votação em eleições futuras.

Como contributo para esse inquérito, “podemos adiantar que no caso dos boletins de voto que não chegaram às mãos dos eleitores, as razões foram: morada desatualizada, morada em Portugal, mudança de morada efetuada nos 60 dias em que já não se podem fazer alterações de morada, atrasos nos correios em inúmeros países, e um número muito grande de eleitores que nunca chegaram a receber os boletins de voto apesar de terem a morada correta no cartão de cidadão”, referem as duas entidades.

“Muitos destes problemas não existiriam se os consulados tivessem enviado esclarecimentos sobre as eleições por e-mail, e se os boletins de voto tivessem sido enviados com maior antecedência”, frisam.

Em relação às devoluções, os envelopes foram devolvidos pelos correios essencialmente por duas razões: em muitos países os serviços do correio não compreenderam que os envelopes tinham porte pago; e o facto de quer a morada do remetente quer a do destinatário estarem na parte da frente do envelope ter confundido muitos serviços de correios.

“Um inquérito a estes factos é essencial, é um escândalo o facto de centenas de milhares de emigrantes portugueses não terem conseguido votar”.

O movimento “Também somos portugueses” e o “Comité Cívico Português do Reino Unido” insistem também que seja feito um piloto de voto pela Internet como possível meio de evitar os problemas do voto postal.

A contagem dos votos e apuramento dos resultados que vão eleger quatro deputados, dois pelo círculo da Europa e dois pelo círculo fora da Europa, vai decorrer hoje no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, local onde está montada a Assembleia de Recolha e Contagem dos Votos.

 

 


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