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Portugal quer Europa a pensar prioridades em parceria com África
Revista PORT.COM • 23-Dez-2019
Portugal quer Europa a pensar prioridades em parceria com África



O chefe da diplomacia portuguesa defendeu, durante o sétimo encontro do Conselho da Diáspora, que as quatro prioridades da presidência portuguesa da União Europeia, bem como outras questões da Europa, devem ser pensadas «em parceria com África».

«Pensar a transição digital, a ação climática e o pilar europeu dos direitos sociais parece a Portugal absolutamente essencial», disse Augusto Santos Silva, nesta sexta-feira, em Cascais, na abertura do encontro, perante dois terços dos conselheiros da diáspora.

Mas, alertou: «Como a Europa não é uma ilha isolada, como é um continente demograficamente envelhecido ou em envelhecimento e vizinho do continente que mais crescerá demograficamente nos próximos anos, e como a Europa hoje é metade de África, do ponto de vista populacional, e daqui a menos de 30 anos será um quarto de África a nível populacional, nós temos que pensar estas coisas, não à escala do nosso continente, mas em parceria com, pelo menos, esse outro continente vizinho».

Ainda, para justificar a importância desta parceria, lembrou que a «Europa e África são dois mercados que se entrecruzam» e que a «segurança da Europa hoje está, de uma forma muito expressiva, no Sahel, na África Central e na África do Norte».

Santos Silva afirmou ainda que «a transição energética coloca desafios tais que podem obrigar também, do ponto de vista institucional, a União Europeia a tomar decisões de grandes consequências e de grande impacto».

«Seja ao nível nacional, seja ao nível europeu, seja ao nível das Nações Unidas, Portugal tem um protagonismo e uma responsabilidade própria muito grande, não só em cumprir as suas obrigações internacionais, como também contribuindo para que a comunidade internacional assuma as responsabilidades (…) inerentes a esta economia do nosso planeta que vai mudar», sustentou.

Mas isto, considerou, «não chega». «Nós temos que fazer esta tripla transição, a transição energética, a transição ambiental e a transição digital com as pessoas e não perdendo as pessoas (…)».

Aliás, «se não queremos que o populismo campeie na Europa nós temos que explicar aos trabalhadores das fábricas movidas a carvão, aos cidadãos comuns das nossas cidades, aos agricultores, aos criadores de gado, aos técnicos que este é o futuro que se pode ganhar e esta é uma transformação econômica que pode implicar maior produtividade e maiores rendimentos e maiores direitos e não um processo do qual se sintam excluídos», alertou o governante.

«Se as pessoas se sentirem excluídas, como nós somos felizmente democracias, as pessoas não deixarão operar esta transição. E sabemos que se não operarmos essa transição o nosso modo de vida e a nossa sobrevivência está comprometido», advertiu.

Por isso, a presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, «será orientada por quatro grandes prioridades interconectadas», justificou.

«A primeira prioridade é justamente a da economia digital, a segunda é a da ação climática, a terceira é o pilar europeu dos direitos sociais e a quarta, no domínio da política externa, é a relação entre a Europa e a África», enumerou.

Por isso, classificou como «feliz» e «oportuno» o tema escolhido este ano pelo Conselho da Diáspora para o seu sétimo encontro que se realizou em Cascais, “A Economia do nosso planeta”.

O Conselho da Diáspora Portuguesa é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em 2012, com o Alto Patrocínio da Presidência da República e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Foto: © Miguel A. Lopes/ Lusa


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