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Diretor-adjunto da PORT.COM
2019-06-04
O retrato dos votos da emigração

Portugal foi a votos. Desta feita para o Parlamento Europeu e, sem entrar aqui em qualquer leitura ou análise de carácter político ou partidário, a verdade é que quase 70% dos portugueses decidiram não participar. Os números da abstenção não surpreendem mais sabendo que tipo de ato eleitoral se tratava, mas merecem reflexão, tanto mais que, quer em eleições legislativas, quer em eleições presidenciais, o panorama também não tem sido entusiasmante do ponto de vista da saúde da nossa democracia.

Mas Portugal não é só este retângulo à beira-mar plantado. Somos nós, os que estamos aqui, mas também os milhões de emigrantes que por esse mundo fora espalham a alma lusa. E que também votam, devem fazê-lo, mas, na verdade, a sua participação eleitoral sempre foi muito reduzida.

Apesar da expetativa criada com a aprovação, este ano – e refira-se a relevância da medida - do recenseamento automático para todos os portugueses residentes no estrangeiro, uma primeira leitura da participação eleitoral pode indicar que a medida ficou muito aquém das expetativas.

De facto, o número de eleitores inscritos passou de cerca de 245 mil, em 2014, para quase um milhão e 500 mil, em 2019, mas a expressão eleitoral não acompanhou este ritmo. Este ano votaram mais emigrantes, é verdade, 13.812 contra os 5.129 de 2014, mas considerando o universo a participação eleitoral diminuiu.

Poderemos dizer que o resultado da emigração mais não reflete o estado geral do que se passou em Portugal e daí talvez seja prematuro estar a tirar conclusões sobre isto ou aquilo. Resta então esperar pelo próximo ato eleitoral, as legislativas já em outubro, para vermos o que vai acontecer.

De qualquer modo, também fatores como a falta de informação, de campanhas de apoio e a recente entrada em vigor da medida poderão explicar parte desta fraca adesão por parte dos eleitores emigrados ou residentes no estrangeiro.

Neste contexto, as legislativas poderão ser uma resposta para termos “um retrato” mais fiel dos votos da emigração. Resta saber se o pouco interesse participativo dos emigrantes em atos eleitorais resulta de falta de informação, de comodidade, porque estão desligados da política nacional, porque não acreditam nos partidos e se sentem desmotivados ou até muitas vezes alvo de pouca atenção por parte de sucessivos governos e agentes políticos.

Para nós, PORT.COM, faz precisamente este mês de junho, mês de Portugal, cinco anos que tentamos contribuir para diminuir este “fosso” com a nossa emigração, como projeto editorial vocacionado para todos aqueles que vivem e trabalham fora do país. Da nossa parte reiteramos hoje aqui o continuar desse esforço.

OPINIÃO
Defender a União Europeia e os direitos de cidadania
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Deputado do PS
Saibamos aumentar a participação cívica das nossas comunidades
José Cesário
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José Caria
Diretor-adjunto da PORT.COM
DISCURSO DIRETO
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Marcelo Rebelo de Sousa
PORTUGAL
Língua portuguesa, um passaporte para o presente e para o futuro
Luís Faro Ramos, pres. do Camões I.P.
PORTUGAL
Função de grande responsabilidade e relevância social
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