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Deputado do PS
2018-05-08
La Lys: Celebrações com sentido reparador

É impressionante, mas foram precisos 100 anos para que fosse feita a justa e devida homenagem aos soldados portugueses que participaram na Primeira Grande Guerra, da qual se destaca um episódio particularmente traumatizante, que foi a batalha de La Lys, em 9 de abril de 1918, que segundo o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi o segundo maior desastre militar depois de Alcácer Quibir.

Esta injustiça, a necessitar de reparação histórica, era particularmente visível na débil participação das instituições política e militar nas celebrações, tanto em França como em Portugal, mas também na expressão desiludida dos familiares e descendentes dos combatentes que, ao longo dos anos, viveram com o estranho sentimento de que o seu esforço e a sua memória nunca foram devidamente reconhecidos.

As recentes celebrações do Centenário da Batalha de La Lys realizadas nos dias 8 e 9 de abril no Arco do Triunfo, no Cemitério Militar Português em Richeburgo, no monumento aos mortos em La Couture e ainda na cidade de Arras, com a mais alta participação institucional de sempre, na presença dos Presidentes da República de Portugal e da França, do Primeiro-Ministro de

Portugal, de membros do Governo, deputados e altas patentes militares dos dois países é, finalmente, a reparação há muito tempo esperada, arrancada ao fundo do poço para onde tantas vezes são lançados os episódios incómodos da história, só porque os homens se esquecem que antes do combate partidário está o dever moral.

E foi intenso e emotivo não apenas porque Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, o Presidente e o Primeiro-Ministro, fizeram o justo e devido reconhecimento aos soldados portugueses, mas também porque o próprio Presidente Emmanuel Macron fez o mesmo, de forma sentida e clarividente, escolhendo o cemitério militar de Richeburgo para elogiar o valor e coragem dos soldados portugueses e lembrar que a “profunda e sólida amizade” que liga Portugal e a França tem as suas raízes fortalecidas pelo sangue por eles derramado.

O facto é que, independentemente da instabilidade política que se vivia na República, das más condições em que os soldados fizeram a viagem e sofreram na frente de combate, das revoltas e insubordinações, nos momentos críticos em que era preciso fazer barragem ao invasor alemão, lá estavam os homens das trincheiras, com a sua coragem e determinação, a fazer o que podiam com os meios que tinham e o que restava do seu estado de ânimo.

Apesar de anualmente se realizarem as cerimónias evocativas em Richebourg e em La Couture, é também evidente o esforço que velhos combatentes e seus familiares fazem para manter viva a memória desse sacrifício, muitos deles descendentes de portugueses que ficaram pelas terras da flandres francesa, hoje a região de Pas de Calais, empunhando os estandartes em honra dos seus pais e avós, que as suas duas pátrias relegaram para um cantinho tão escondido da história que mal se avistava, tanto em França como em Portugal.

E é neste esforço para manter viva a memória desta geração de portugueses enviados para combater por Portugal, pela França, pela Europa e pela paz, que merece elogio a extraordinária comunidade portuguesa em França, que persistiu em rumar a Richeburgo e La Couture, em escrever livros, fazer exposições, debates, lembrando a história, lutando assim contra o esquecimento. Brava gente que se bateu na Primeira Grande Guerra e brava gente que lutou depois para que a memória não se apagasse.

Não é tolerável que, por causa da loucura dos tempos e das ideologias, não se honrem as pessoas, as suas famílias, os seus descendentes, só porque são apanhados no fogo cruzado das lutas políticas. Não é aceitável que vários milhares de pessoas morram, que fiquem feridas, traumatizadas e depois não haja um gesto de reconhecimento, a assunção da responsabilidade, o sentido de humanidade. Pode-se criticar a decisão de enviar os soldados para a guerra, a conjuntura caótica que então se vivia, os sucessivos aproveitamentos políticos da República e da ditadura, mas não se pode deixar de honrar a memória daqueles que lá lutaram e deram a sua vida por uma causa, mesmo que pudessem não compreender muito bem o seu sentido.

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