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Foto Discurso Direto
Cônsul honorário de Portugal em Pelotas, Brasil
2018-11-09
Aqui, Brasil

Perguntam-me como a comunidade portuguesa vê as eleições no Brasil. Não tenho dúvidas em afirmar que as eleições são vistas como se brasileiros fôssemos. E sabem porquê? Porque as comunidades portuguesas estão deveras inseridas na vida dos brasileiros e, por consequência, os reflexos da boa ou da má política são os mesmos tanto para nós como para eles. Afinal, vivemos aqui, desenvolvemos as nossas atividades, sejam elas quais forem, com os mesmos objetivos e empenho para atingir as metas que almejamos.

Apesar da maioria não participar por não ter direito a voto, as eleições criam uma certa ansiedade, principalmente quando se forma uma polarização radical entre os extremos direita e esquerda, como aconteceu neste ano de 2018. As razões que trouxeram até esta situação extrema - ficando pelo caminho as posições mais moderadas, quer de esquerda quer de direita - estão bem claras no tempo de dificuldades que o Brasil vive. A segurança completamente comprometida, digamos, caótica, com um saldo de mais de 63 mil vidas ceifadas estupidamente só no ano passado (qual a guerra que mata com esta intensidade?). A Saúde, com filas intermináveis provocadas pela falta de estrutura (médicos, medicamentos, hospitais a fechar). A Educação? bem a Educação colapsou e é só o elo mais importante que não existe atualmente no Brasil, originando o caos na segurança, o desrespeito em tudo e com todos, a falta de compromisso, enfim, uma situação que impacta a vida normal de qualquer família ou nação. Tudo isto como resultado de uma esquerda com objetivos definidos de desconstrução dum país rico e cujo objetivo principal é o poder.

Por outro lado, e em face dessa situação caótica provocada por uma corrupção sem limites, o desmonte da sociedade e um desemprego nunca visto provocaram um descontentamento generalizado na maior parte da população, despertando a necessidade de colocar um ponto final na situação, seja ele qual for. Por tudo isto assistimos a uma enorme, embora pareça irracional, anuência da população, seja por esse grito de mudança, seja pela não aceitação de continuidade dum governo a quem se atribui este caos.

Hoje já ninguém suporta estar preso em casa, com grades, câmaras de vigilância, cercas elétricas e o crime impune na rua; ninguém mais aguenta esse desemprego de 13 milhões de pessoas, muitos a passar fome; ninguém mais aceita ver morrer as pessoas nas filas das emergências. Enfim, a população está cansada desta realidade quotidiana causada pela ganância do poder e cujos componentes são a desconstrução da sociedade, a insegurança quer física quer mental, a corrupção ou a enorme carga tributária sem o respetivo retorno.

As comunidades portuguesas ficam, como todos os cidadãos, a assistir a este cenário que se vive e em que não se quer acreditar, esperando que, com novos dirigentes, se encontrem soluções eficazes que possam mudar esta situação difícil, sem causar grandes traumas a uma sociedade que está à beira da rutura. Afinal, tudo é tão simples e facilmente explicável nestas eleições no Brasil.

OPINIÃO
Aqui, Brasil
Francisco Serra
Cônsul honorário de Portugal em Pelotas, Brasil
Condições mais favoráveis ao exercício do direito de voto
José Vítor Soreto de Barros
Presidente da Comissão Nacional de Eleições
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DISCURSO DIRETO
Um zacatrás por Portugal
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Há condições para viver em Arcos de Valdevez
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