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Consultor Internacional
2018-11-09
Brasília, El Dorado Luso

A emigração traz riqueza à família atraída por desafios. Ganha ainda o País com as remessas e inovação nas novas casas onde os emigrantes desfrutam das férias e da reforma. Sobre isso já escrevi antes, mas a boa frase repete-se!

Sabemos muito sobre os emigrantes que nas décadas de 60 e 70 foram para França, Bélgica e Canadá, mas pouco sobre os que foram para Brasília. Já antes de 1900 o Brasil sonhava ter a capital mais central. Foram feitos estudos, planos, projetos, típico das pessoas inovadoras.

Juscelino Kubitschek, vindo do interior de Minas Gerais sentiu a importância de, ao mudar a capital, valorizar o enorme potencial do interior do país. Prometeu mudar a capital se fosse eleito presidente. E mudou.

A posição geoestratégica de Brasília, o clima ameno, a ligeira inclinação para o grande lago artificial ali criado… era tudo perfeito para a capital. Milhares de desempregados nordestinos e não só, foram para lá construir um sonho, um desafio. Mas faltavam técnicos, sobretudo em profissões nas quais os portugueses sempre foram excelentes, como pasteleiros, topógrafos ou engenheiros hidráulicos.

Em 1960, apesar do pó daquela terra vermelha e das condições inóspitas, os novos desbravadores lusos lá foram preenchendo as lacunas, como tinham feito em Minas Gerais, há séculos atrás. E foram garimpando as novas riquezas: o couro (cabedal) em vez de ouro, flores e cravos em vez de escravos. E albergues ao prever o turismo naquele futurismo.

Na década de 90, eles e os seus filhos dominavam o melhor da padaria, restauração e alojamento simples em Brasília. Na superquadra 310 estavam pastelarias, restaurantes, bares, boutiques de luxo para a elite da Asa Norte da supermoderna capital. Ali ouvia-se muito das ‘terrinhas’. Em janeiro e julho, época de férias de políticos e juízes, Brasília ficava meia deserta e muito deste comércio fechava. Lá iam com o Real que na altura valia mais de um Dólar, ao lar real, à amada terra natal.

Como noutras cidades brasileiras, ali fundaram clubes, grémios, hospitais. Os seus filhos, como há séculos os desbravadores, miscigenaram e o melhor dos genes de Portugal e do Brasil gerou líderes na restauração, construção, instalação e comunicação.

Agora muitos querem regressar para Portugal. Mas por cá não há desafios, dizem. Falta coragem para, como Juscelino, modernizar as estruturas. Uma nova capital, por que não? Em Ansião? Serra do Sicó? Há estudos que comprovam o quanto Portugal ganharia. É vender os prédios de Lisboa e construir, como o Brasil, EUA e Canadá, um país 4.0 na envelhecida União Europeia.

«Yes, we can», dizem esses corajosos emigrantes.

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