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2018-12-04
Manaus, seiva d'ouro

A emigração traz riqueza à família atraída por desafios. Ganha ainda o País com as remessas e inovação em novas casas. O bom repete-se! Ao contrário da muita emigração que se fixou na zona costeira e no sul do Brasil, vinda do centro e norte da Europa, para Manaus foram sobretudo portugueses e sefarditas. Muitos chegaram ao Nordeste do Brasil em veleiros simples, após 90 dias de ventos modestos. Mas o clima e a miséria fizeram com que os mais astutos e trabalhadores seguissem o caminho dos bravos navegadores e entrassem rio adentro.

Muitos ficaram pelas beiras, como os das Beiras. Outros penetraram as matas e chegaram aos baixos montes, como no Minho e Trás-os-Montes. Viviam, como muitos nas orlas de Portugal, da pesca e agricultura de sobrevivência. Encontraram ervas, frutos, até ouro e diamantes que exportaram.

Na selva encontraram o pau-rosa, do qual é extraído o fixador para os melhores perfumes do mundo. Também madeira de alto valor, que hoje está esculpida na maioria das catedrais de Portugal. E ainda pau-preto e castanha do Pará, que não é igual à nossa, mas sabe bem.

Como noutras cidades brasileiras, após algumas gerações no campo, os lusodescendentes foram caminhando para as grandes cidades e dedicaram-se à pastelaria, ao comércio, ao transporte, à carpintaria e a tudo aquilo que aprenderam com os pais e avós. Naturalmente foram-se misturando com os indígenas até que… o uso da seiva da seringueira, Hevea Brasiliensis, para o fabrico da borracha os enriqueceu de repente, na só a eles como também os sefarditas. Estávamos no fim de 1800 e estes clãs começaram a importar de Portugal, Itália e França aquilo a que os familiares na “terrinha” nem sonhavam um dia ter e muitos foram trabalhar para estes novos-ricos parentes na Amazónia.

Manaus tornou-se o centro de reembarque da borracha crua (e até alguma já semi-fabricada) para todo o mundo. O comércio floria e a elite decidiu construir o Teatro Amazonas, uma cópia do Scala de Milão, como o Teatro São Carlos em Lisboa. Uma acústica fenomenal, esculturas belíssimas, castiçais, luminárias, gobelain, pano-de-cena, tudo importado. Assim como as melhores companhias de ópera da Europa. Mas a exportação e, assim, a importação caíram após poucas décadas.

Infelizmente, na reabilitação feita em 1972, a maior parte das obras de arte desapareceram e a caixa acústica oca, por baixo da plateia, também.

Hoje, muitos dos prédios-património em Manaus ainda têm as pedras importadas do Minho e de Elvas. Os melhores colégios ainda são os fundados então pelas irmandades de Portugal e nos grémios das elites ainda se veem pequenos “restos” daquela era de riqueza e cultura, inspirada pelos desbravadores lusos. E na cidade velha vê-se a arquitetura lusa do século XIX, inconfundível. Às vezes pouco funcional, devido ao calor e a extrema humidade. Até a Festa do Boi, em Parintins, é uma lembrança do melhor de Portugal. 

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